Satanás e Inferno existem?

 

Esta é uma reflexão que me veio depois de mudar novamente de igreja. É algo que sempre me incomodou. Infelizmente – ou felizmente! -, esta reflexão contribuiu para que eu fosse novamente expulso de uma igreja.

Como já mencionado nos dois posts anteriores (“Espírito Santo: terceira pessoa divina?”), qualquer pessoa que leia a Bíblia do início ao fim vai perceber algo, no mínimo, perturbador: dois dos mais importantes personagens do Cristianismo pregado por aí – Satanás e o Espírito Santo – só são desenvolvidos no Novo Testamento (NT). São personagens que, repentinamente, pulam de pára-quedas na narrativa bíblica, e o leitor desavisado fica sem saber o porquê, dado que o texto bíblico não parece pedir pela presença deles.

Vamos nos ater, agora, a Satanás.

A mensagem bíblica não pede por ele. Não pede? Provo que não. 1Samuel 16:23, por exemplo, ao lado de outros textos, diz que Deus também manda “espíritos malignos” para perturbar o homem. Josué 24:20 diz que Deus faz bem aos que seguem seus preceitos e “mal” aos que não. E o versículo 3:38 das Lamentações de Jeremias é taxativo: “Acaso, não procede do Altíssimo tanto o mal como o bem?”. Se assim é, por que precisamos de outro personagem para mandar o “mal” para nós? Por que criar um dualismo se a Bíblia, desde seu início, nos ensina um monismo (só há uma fonte de poder, de onde provém todas as coisas – Deus)?

Se nós substituíssemos na Bíblia “Satanás” (“Belzebu”, “demônio” ou o que for) por “espírito maligno” que provém de Deus (como em 1Sm 16:23), esse novo personagem não faria falta. Não haveria nenhuma alteração para a doutrina bíblica. Deus permaneceria o que sempre foi; a mensagem de Jesus permaneceria a mesma; e a saga do povo judeu também. Só os maus cristãos que não gostariam disso, pois não poderiam mais “evangelizar” com a estratégia das ameaças: “se você não se entregar para Jesus, vai para o inferno!”, e mais baboseiras parecidas. 

Por que, então, a inclusão, do nada, desse personagem? A explicação é simples: o exílio babilônico.

A palavra “Satanás”, denotando um ser pessoal do qual provém o mal, só aparece, no Antigo Testamento (AT), nos livros de 1Crônicas, Zacarias e Jó. Os dois primeiros foram escritos após o exílio do povo judeu na Babilônia. Há uma discussão em torno da datação de Jó, mas voltaremos a ele mais adiante. O povo judeu, quando retornou para Israel com a permissão de Ciro, o rei persa, no ano de 538 a.C., trouxe consigo muitos costumes dos persas, inclusive doutrinas religiosas. A religião dos persas, o Zoroastrismo, como já adiantamos no artigo sobre o Espírito Santo (confira: “Espírito Santo: terceira pessoa divina?”), influenciou sobremaneira o Judaísmo e, por conseqüência, o Cristianismo, que deriva dele.

O aramaico, língua que Jesus falava, era a língua franca dos impérios babilônico e persa, e, depois do cativeiro, tornou-se a língua do conhecimento judaico. Das duas edições antigas do Talmude (coleção da lei oral – Mishnah – mais os comentários dos rabinos –Gemara), fonte de onde deriva a lei judaica, a mais importante foi produzida na Babilônia. As academias talmúdicas em Sura e Neardéia, na Babilônia, eram respeitadas como autoridade pelos judeus no Oriente e mesmo no Ocidente, até, pelo menos, o século XII de nossa era. Os “magos do oriente” que avistaram a estrela e foram visitar o menino Jesus, certamente estavam vindo de lá. É surpreendente notar que o alfabeto aramaico substituiu o alfabeto cursivo original israelita na escrita do próprio hebraico. A influência babilônica foi forte também em outras áreas. Por exemplo, Judá adotou os nomes babilônicos para os meses do calendário.

Zoroastro, fundador do Zoroastrismo, viveu, segundo as estimações mais aceitas hoje, entre 1500 e 1200 a.C. Ou seja, é mais antigo que Moisés (pode até ter sido seu contemporâneo). Antes de ser escrito qualquer livro da Bíblia, já constava dos hinos litúrgicos escritos por ele, os “Gathas”, o seguinte (Yasna 30):

 

 “Verdadeiramente, há dois Espíritos primários, gêmeos em conflito. Em pensamento e em palavra eles são dois: o bem e o mal. E aqueles que agem bem escolheram corretamente entre esses dois, o mesmo não podendo ser dito aos que agem mal. E quando esses dois Espíritos primários primeiramente se encontraram, criaram a vida e a não-vida, e, para o fim dos tempos, a Pior Existência para aqueles que procedem mal, e a Casa do Melhor Propósito para o homem justo. Desses dois Espíritos, o Mal escolhe alcançar as piores coisas. O Espírito Mais Santo, que está fincado na rocha mais dura, escolhe o certo, e assim devem fazer os que querem satisfazer Ahura Mazda continuamente.”

 

No Zoroastrismo, existe o Deus supremo, chamado “Ahura Mazda”, que sofre a oposição de uma outra força poderosa, conhecida como “Angra Mainyu”, ou “Ahriman”. Desde o começo da existência, esses dois espíritos antagônicos se combatem mutuamente. E ambos reservam moradia para aqueles que agem segundo seus propósitos: a “Pior Existência” para os maus, que corresponde ao “inferno” dos cristãos, e a “Casa do Melhor Propósito” para os bons, que corresponde ao “paraíso” dos cristãos. O Zoroastrismo foi a primeira religião a trabalhar com o dualismo bem x mal. O Judaísmo, até a palavra “Satanás” aparecer em 1Crônicas, adotava um inegável monismo.

No século VI a.C, século em que os judeus foram levados em cativeiro para a Babilônia, o Zoroastrismo já era a religião dominante em todo o império persa. Foi provavelmente adotada pelo fundador desse império, Ciro, o Grande (549-29). As inscrições nos túmulos de seus sucessores, todos citados na Bíblia (Dario, Xerxes, Artaxerxes I), comprovam a adoção da fé zoroastriana.

Foi o Zoroastrismo que os judeus encontraram quando chegaram cativos na Babilônia. Foi lá que aprenderam a crença em um “Ahriman”, um diabo pessoal, que, em hebraico, eles chamaram de “Satanás”. Por isso que seu aparecimento na Bíblia só ocorre nos livros pós-exílio.

É só comparar 2Samuel 24:1 com 1Crônicas 21:1: são duas passagens que tratam do mesmo fato, mas a primeira foi escrita antes do exílio e a segunda, depois do exílio. No primeiro, se lê:

 

“Tornou a ira do Senhor a acender-se contra os israelitas, e ele incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, levanta o censo de Israel e de Judá”.

 

No segundo, se lê:

 

“Então, Satanás se levantou contra Israel e incitou a Davi a levantar o censo de Israel”.

 

Parece mais do que evidenciado que Satanás não é um conceito original da Bíblia, e, sim, introduzido nela. Não passa de um elemento cultural incorporado.

Há uma teoria, informa o dicionário de J. D. Douglas, que diz que a palavra hebraica seol (da qual se traduz “inferno” no AT) deriva da raiz sh’l, que, no hebraico pós-bíblico, equivaleria a “profundeza” (sha’al). Essa palavra é usada no AT para indicar o lugar dos mortos. Todavia, Javé, no AT, é o senhor de seol. O Salmo 88, dos filhos de Coré, indica um certo poder de Deus sobre seol. No congênere babilônico (aralu), ao contrário, este lugar era governado por seus próprios deuses. São duas perspectivas bem distintas: a primeira é monista, a segunda é dualista.

No NT, observa-se claramente a separação. Deus perde poder sobre seol: “inferno” deriva agora dos termos gregos hades e geena. O primeiro é o lugar dos mortos da mitologia grega, governado por seu próprio senhor, o deus homônimo Hades. As origens do segundo termo se encontram no antigo Israel. Segundo Jostein Gaarder, a palavra nórdica Hel-viti (punição da deusa da morte), da qual deriva a palavra inglesa hell (“inferno”), é uma tradução da palavra Gehenna (Geena) do NT, que significa em hebraico “Vale de Hinom”. Esse vale, ao sul de Jerusalém, era notório pela idolatria. Na época de Jesus, o nome Geena certamente lembrava as “chamas eternas” do castigo para pessoas que já estavam culturalmente influenciadas pela cultura grega e zoroastriana. A idéia que se tem a partir do NT de “inferno” é própria do Cristianismo, e não guarda nenhuma semelhança com aquela constante do Judaísmo (do AT). Ou seja, estamos diante de outro elemento exógeno incorporado.

O termo hebraico satan (o termo Satã ou Satanás que chegou a nós é apenas uma transliteração do hebraico feita pelos gregos) significa “inimigo”, “adversário”. Em alguns textos da Bíblia, é usado para referir-se aos inimigos militares ou guerreiros de Israel.

Antes de continuarmos, algumas informações são importantes em relação ao livro de Jó, que, provavelmente, é um dos mais antigos da Bíblia. O satan de que fala Jó nada tem a ver com o Satan de que fala, por exemplo, 1Crônicas. No livro de Jó, a palavra não é nome próprio, mas um substantivo comum, pois é antecedida por artigo definido (“o satan”). O satan aparece entre “os filhos de Deus” (Jó 1:6). Em outras passagens (como em Gn 6:2, Jó 38:7), a expressão “filhos de Deus” se refere aos anjos. Nesse contexto, satan não é ainda uma figura perversa, mas apenas um anjo ocupando a função de promotor de justiça ou acusador, conforme ensina o Judaísmo. Por isso que muitos textos chamam Deus de “juiz” (Sl 7:11, Is 33:22 etc.), e por isso que, mais à frente, João chamaria Jesus de “advogado” (1 Jo 2:1). Ver o céu como uma espécie de tribunal fazia parte do imaginário da época, figura que é levada às últimas conseqüências em Apocalipse, segundo o qual os pecadores serão, um por um, julgados (Ap 20:12-13). Como dá a entender Jó 1:7, o anjo acusador pesquisa o homem, e, no versículo seguinte, Deus lhe pergunta: “Observaste a meu servo Jó?” A partir daí, com a licença de Deus, o anjo propõe pôr Jó à prova.

É um texto que segue a lógica de outros, como 1Sm 16:23, em que o mal, afligido a Jó, provém de Deus. Na concepção do antigo Israel, antes do exílio na Babilônia, quem tenta ou induz ao mal é o próprio Javé. Mais tarde, cria-se a personagem de Satã para tirar de Deus essa função odiosa, como se percebe da já referida comparação entre 2 Sm 24:1 e 1 Cr 21:1.

O contato com a cultura babilônica também fez surgir o mito da queda do anjo Lúcifer. Essa história não consta de Gênesis, e muitos cristãos gostam de usar o trecho de Ezequiel 28:12-19 como ilustração. Todavia, esse texto fala do então rei de Tiro (Itobaal II), que se comparava a Deus, segundo Ez 28:2 (estilo persa de governo absolutista fundado na divindade). Tiro era uma antiga cidade-estado fenícia, na costa do Mar Mediterrâneo, uma das mais importantes cidades do mundo antigo, famosa por sua poderosa frota mercante. Até os próprios judeus, que incorporaram a figura do diabo às escrituras, não reconhecem que tal passagem fala de Lúcifer.

Itobaal I era filho de Ahiram, rei de Jbail, mesmo nome dado por Zoroastro ao seu diabo, séculos antes (“Ahriman”, “Ehriman” ou “Ahiram”), o que talvez tenha ajudado para se criar associações levianas. Nabucodonosor impôs um cerco a Tiro entre 585 e 573 a.C, o que culminou na submissão com a morte de Itobaal II.

“Lúcifer” era o nome de um deus babilônico. Era a “estrela matutina” no mito babilônico, e filha de Júpiter na mitologia grega. Esse nome só aparece em Isaías. É o nome latino para o planeta Vênus, o objeto mais brilhante do céu, excetuado o sol e a lua. Em algumas traduções, lê-se, em Isaías 14:12: “Como caíste do céu, Lúcifer, tu que parecias tão brilhante ao romper do dia?” Em outras, lê-se “estrela da manhã”. É uma passagem que se refere à queda do rei da Babilônia, e não a uma revolta de anjos no céu, como querem pensar muitos.

No original hebraico, lê-se: “O Helel, filho de Shahar“. Shahar era um deus babilônico do amanhecer, e Helel (“brilhante”) era o filho dele, a estrela matutina, também chamado de Vênus. Shahar teve um irmão gêmeo chamado Shalem, que era associado ao crepúsculo e o aparecimento de Vênus à noite. Jerusalém quer dizer “Casa de Shalem”, nome que vem da adoração do planeta Vênus como uma estrela da noite. A idéia de “Siga em paz ” ou “A paz esteja com você” se originou de histórias de Vênus que adentra à noite o mundo dos criminosos. “Shalem” tornou-se “Shalom” (o famoso cumprimento judaico) com o passar do tempo.

Em certos momentos, Vênus pode ser visível de manhã, mas não visível à noite. Assim, várias culturas antigas davam dois nomes diferentes para Vênus. Um para o aparecimento matutino, ou estrela matutina, e outro diferente para o aparecimento à noite, ou estrela vespertina. Para os chamados “magos”, os planetas eram fontes místicas de luz que se moviam pelo céu diferentemente das estrelas. Assim, inventaram mitos sobre eles, deram-lhes nomes. Os “magos do oriente”, citados em Mt 2:1, vieram a Jesus justamente por causa dessa tradição.

Johannes Kepler descobriu que, no ano 7 a.C (provável ano de nascimento de Jesus), Júpiter e Saturno encontraram-se em conjunção planetária na constelação de Peixes. Tal constelação encontra-se no fim de uma velha e no começo de uma nova trajetória do sol, daí ter tido grande valor para as culturas antigas, pois viam nisso o começo de uma nova era. Para os judeus, influenciados pela cultura astronômica dos babilônicos, Peixes se tornou o signo do Messias (aquele que viria para salvar o povo cativo). Foi por isso que magos do oriente, provavelmente de ascendência judaica, vieram para a terra de seus ancestrais, para conhecer o rei que nascia.

Voltando a Isaías, observando o resto da passagem (14:13-14), podemos ver como a imagem de Vênus, que não pode se levantar às alturas das nuvens nem acima das “estrelas de Deus”, é tratada com ironia e menosprezo pelo profeta, em clara alusão à queda babilônica.

Não há evidências bíblicas de que se esteja falando de outra coisa, assim como a passagem em Ez 28:12-19. É perigoso forçar interpretações que não se adequam ao contexto.

Deus, à medida que se aproxima a devastação final da aliança feita com o povo israelita, vai expandindo sua relação com outras nações, vai se transformando no que Jack Miles chamou de “árbitro internacional”. O que antes era o quadro de Deus e de Israel como sócios viajando juntos pelo deserto e juntos atravessando o Jordão para conquistar Canaã, e, em seguida, formando e constituindo um reinado (quadro que vai do livro de Êxodo até o livro de 2Samuel, pelo menos), é substituído por um plano geral no qual várias nações são vistas simultaneamente, e Deus tem desígnios para diversas delas (o que começa a ser visto a partir dos livros de Reis). A ruptura da aliança amplia o envolvimento de Deus como formador de destinos nacionais para além do âmbito geograficamente estreito da aliança. O castigo imposto a Israel por intermédio de outras nações envolve Deus em complexas manipulações internacionais de um tipo antes não encontrado na Bíblia. E nesse contexto se encaixa o livro de Isaías e de Ezequiel.

É importante observar ainda que João, escritor de Apocalipse, no NT, diz que Jesus referiu a si mesmo como “estrela da manhã”, ou “estrela matutina” (Ap 22:16), o que entra em conflito com a idéia de que Satanás é um anjo caído nomeado Lúcifer ou a própria estrela de manhã. Ao contrário, chamar Jesus de estrela da manhã se adequa, isto sim, ao verdadeiro sentido do texto em Isaías: Jesus é a nova Vênus resplandecente; ou seja, é o novo rei, que se levanta nos céus!

Portanto, no contexto correto, Lúcifer não é nenhum anjo caído, mas somente um nome latino relativo ao planeta Vênus, o qual não pode ser visto alto no céu, e, assim foi considerado um “anjo caído” pela cultura popular da época, que acabou escrevendo a história num livro hoje considerado apócrifo: o Livro de Adão e Eva, ao qual voltaremos adiante.

Pois é, toda a doutrina, depois absorvida pelos cristãos desavisados, de que existe um diabo pessoal que se chama Satanás, fonte do mal, que foi outrora um anjo chamado Lúcifer e que era a serpente em Gênesis, vem todinha de um livro apócrifo, hoje não incorporado ao cânon bíblico. Ora, se a Bíblia não fala que a serpente em Gênesis era Satanás, se não fala nada de uma revolta de anjos e a queda de um anjo chamado Lúcifer, nem diz nada sobre Lúcifer ser Satanás, de onde vem essa crença tão firme que cristãos de várias denominações professam? De um livro apócrifo! Não é um paradoxo?!

O relato de Gênesis a respeito dos acontecimentos no paraíso, em que se narra simbolicamente o pecado da humanidade, tem como finalidade primeira responsabilizar o homem por ter sucumbido à tentação de “ser como Deus”, conhecedor do bem e do mal. A personalização do mal em Satanás e a sua crescente compreensão como força que se opõe a Deus levaram os autores dos livros apócrifos do período intertestamentário a criar um mito curioso, que tenta conciliar a unicidade do poder do Criador com a presença no mundo de uma força que se opõe a Ele. Inspirados no dualismo persa, que migrou para os vários povos vizinhos, Satã passa a ser imaginado como um anjo criado por Deus que, fazendo mau uso da sua liberdade, se revolta. Surge, assim, nos escritos extrabíblicos, o mito da expulsão de Satanás da glória celeste.

Se prestarmos atenção, esse mito objetiva engrandecer o homem. Ora, a primeira coisa que faz é tirar a responsabilidade do homem. No apócrifo Livro de Adão e Eva, Satanás passa quase o livro inteiro, devido à sua inveja, tentando afastar Adão, Eva e seus descendentes de Deus. Ora, o objetivo de tal mito não é definir a natureza de Satanás ou de suas hostes, os anjos caídos (demônios), mas exaltar a grandeza do ser humano, criado à imagem de Deus, e, portanto, capaz de suscitar a inveja até dos seres celestes!

Não é exatamente isso o que fazem os cristãos ao jogarem a culpa de todas as desgraças que acontecem consigo e com o mundo num terceiro personagem, Satanás? Essa mania dos cristãos de culpar um terceiro é um erro doutrinário, é um distanciamento da mensagem de Gênesis. Os crentes sempre jogam a culpa de sua própria mediocridade num terceiro, e se esquecem de olhar para si mesmos. É muito cômodo ter uma religião que sempre os isenta de culpa. Os crentes são eternos inocentes, pois tudo de ruim que acontece são as “setas de Satanás’, são as “armadilhas demoníacas” etc. etc. Fenômeno parecido aconteceu com a concepção do Espírito Santo como uma terceira pessoa divina, como vimos no artigo “Espírito Santo: terceira pessoa divina?”. Com esses desvios, o homem nada mais faz do que buscar engrandecer a si próprio. “Tudo é vaidade”, já diz a sabedoria de Eclesiastes (1:2). E Gn 6:5 diz que é continuamente mau todo o desígnio do coração do homem. Precisamos de um Satanás?! “Vaidade de vaidades”! Só por adotar e defender essas crenças, o homem, sem perceber, se afasta de Deus.

A mudança da perspectiva teológica já começa a ficar evidente a partir do século II a.C, com o desenvolvimento, à margem da tradição judaica erudita, de uma literatura apocalíptica sobre o demoníaco. No Testamento dos Doze Patriarcas, escrito entre 137 e 107 a.C (também apócrifo), pela primeira vez Satã aparece personalizado na figura de Belial. “Belial”, conforme T. K. Cheney, era a deusa babilônica da vegetação, que também pode ter sido a deusa do submundo (a palavra acabou entrando para o vocabulário hebraico como sinônimo de seol). Essas crenças populares sobre o diabo chegaram a ser assimiladas pela elite judaica, razão pela qual muitos rabinos (fariseus) acusaram Jesus de promover os seus milagres “sob o poder de Belzebu”. “Belzebu” era Baal-zebude (“deus das moscas”), alteração zombeteira de Baal-zebul, (“senhor dos lugares altos”), deus filisteu. Com o tempo, os rabinos perderam interesse nessas versões e Satã voltou a ser uma figura menor no Judaísmo. Os cristãos, ao contrário, incorporaram essa concepção em sua doutrina, principalmente na literatura escatológica, assim como ampliaram os poderes comumente atribuídos ao demônio. Os Evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as epístolas de Paulo e o Apocalipse fazem várias referências ao conflito de Satã contra Deus.

Conforme Jomar Morais, a corporificação do Diabo cristão consumiu pelo menos 400 anos de debates e só veio a se consolidar no século VII, com a ajuda da arte cristã. Até então, o demônio não tinha rosto definido. Com o tempo, as imagens e a nomenclatura demoníaca, sempre relacionadas aos deuses que guerrearam contra Javé e às divindades e tradições contrárias à doutrina cristã, foram enriquecidas conforme os adversários definidos pelo Catolicismo. No período das Cruzadas, por exemplo, a figura de Satã ganhou pele morena e barbicha, que o identificava com os árabes. Na Idade Média, o diabo já era apontado como a causa de todos os males. Satã podia entrar no corpo, segundo a crença popular, através dos orifícios, razão pela qual nos países anglo-saxões, até hoje, saúda-se o espirro, então visto como a expulsão de um demônio, com a frase “Deus o abençõe” (God bless you). No período do Iluminismo, a Igreja enxergou forças demoníacas no saber científico. No século XIX, no “Fausto”, de Goethe,  a visão do demoníaco refletia o problema do conhecimento e o desejo do homem de dominar a natureza. Em pleno século XX, os fiéis do Islamismo vêem Satã corporificado nos EUA.

Após as mudanças iniciadas no Concílio Vaticano II, no âmbito do Catolicismo, na década de 1960, o diabo perdeu as feições físicas monstruosas que apavoravam os fiéis e passou a ser encarado como a “causa do mal”, cuja ação entre os homens é de natureza essencialmente moral. Mas a Igreja Católica continua a vê-lo como uma entidade que concentra o mal absoluto. No âmbito do Protestantismo, hoje comumente chamado de Evangelismo, os neopentecostais, que surgiram a partir da década de 1970, superestimam os poderes do diabo e fazem do combate a ele o foco de suas atividades. No Islamismo, pela influência zoroastriano-cristã, o diabo também é individual e corporificado. Em nenhuma outra religião, porém, o é. No Budismo e no Judaísmo, ele não existe. Até mesmo facções ou seitas cristãs, como o Adventismo e o Russelismo (Testemunhas de Jeová), não acreditam no inferno. O Espiritismo kardecista não admite a existência do mal absoluto nem a sua individualização em Satanás. O mal é visto como uma contingência da experiência evolutiva e das vivências terrenas de cada indivíduo; ele cede ao bem à medida que os espíritos se depuram através de sucessivas encarnações.

No Salmo 91:6, o termo “demônio” (daimonion, que é de gênero neutro, significa apenas “espírito”) designa uma praga ou peste. Não se trata, portanto, de um ser pessoal, embora a terminologia possa refletir de alguma forma as crenças da Mesopotâmia. A vigilância dos escritores bíblicos para evitar a contaminação com as crenças de outros povos não impediu que no Judaísmo tardio se espalhasse entre o povo a atribuição de certas doenças – principalmente as de caráter psíquico ou neurológico, ou psicossomáticas –, a forças maléficas que são designadas com o nome de “demônios” (por ser o termo grego de gênero neutro, melhor traduziríamos por “forças demoníacas”) ou também de “espíritos impuros”, o que não é de se estranhar, considerando-se o estágio da medicina na época. Nos Evangelhos, enfermidades como a lepra ou a paralisia, cujas causas ou sintomas são externos – e, portanto, cognoscíveis –, nunca são atribuídas a demônios. Mas doenças “internas”, de causas desconhecidas, sobretudo quando seus sintomas se apresentam de forma intermitente, são concebidas como sendo causadas por um demônio ou uma força demoníaca. Foi o caso dos “endemoniados” gadarenos, em Mt 8:28.

A designação dos demônios como espíritos impuros deve-se ao fato de que as doenças por eles causadas faziam com que o endemoninhado contraísse “impureza legal”, e, conseqüentemente, fosse afastado da plena participação nos atos litúrgicos ou nas assembléias das sinagogas. Isso daria um sentido messiânico muito claro aos exorcismos e às curas de Jesus.

Também doenças como a surdez, a mudez ou a gagueira são atribuídas a demônios ou espíritos impuros, como no episódio do cego e surdo “endemoniado” em Mt 12:22. Um surdo e mudo aparentemente tem os órgãos da fala e da audição normais e, contudo, não ouve, não fala, ou fala de forma balbuciante. Pensa-se que tem uma força estranha e desconhecida que o impede de falar.

Mas vamos aos apócrifos, responsáveis pela “doutrinação” do mito satânico. No Testamento dos Doze Patriarcas, está escrito:

Testamento de Ruben, II, 1-3:

 

“1. Escutai agora, meus filhos, o que no período da minha penitência eu percebi em relação aos sete espíritos do erro! Foram dados ao homem, desde o princípio, também sete espíritos de Belial: são eles que presidem as ações dos jovens. Na criação, foram-lhe conferidos sete espíritos, sobre os quais se apóiam todas as obras humanas.

2. O primeiro é o espírito da vida, do qual é constituída a natureza. O segundo é o espírito da visão, pelo qual nasce o desejo. O terceiro é o espírito da audição, que possibilita o ensino. O quarto é o espírito do olfato, ao qual se ligam o prazer, a respiração e a aspiração do ar. O quinto é o espírito da palavra, do qual procede o conhecimento.

3. O sexto é o espírito do gosto, pelo qual se saboreiam a comida e a bebida, e adquire-se forças; o vigor reside no alimento. O sétimo é a força da procriação e da cópula; acompanha-a o pecado, pela voluptuosidade. Por isso, esse espírito foi o último a ser criado; mas é o que predomina na juventude, cheia de insensatez. Ele conduz o jovem como um cego ao fosso, semelhantemente a um animal que cai no abismo”.

 

Não está aí toda a doutrina das igrejas para pregar a fuga do homem do mundo?

Uma das melhores e mais verdadeiras críticas já feitas aos cristãos foi a do filósofo Friedrich Nietzsche, filho e neto de pastores evangélicos. Segundo ele, o Cristianismo (leia-se: o mau Cristianismo) concebe o mundo terrestre como um vale de lágrimas, em oposição ao mundo da felicidade eterna do além. Essa concepção constitui uma metafísica que, à luz das idéias do outro mundo (“Paraíso”, “Nova Jerusalém”), autêntico e verdadeiro, entende o terrestre, o sensível, o corpo, como provisório, o inautêntico e o aparente. Para ele, o Cristianismo repousa em dogmas e crenças que permitem à consciência fraca e escrava escapar à vida, à dor e à luta, e impondo a resignação e a renúncia como virtudes. Disse que são os escravos e os vencidos da vida que inventaram o além para compensar a miséria; inventaram falsos valores para se consolar da impossibilidade de participação nos valores dos senhores e dos fortes; forjaram o mito da salvação da alma porque não possuíam o corpo; criaram a ficção do pecado porque não podiam participar das alegrias terrestres e da plena satisfação dos instintos da vida. Este ódio de tudo o que é humano, de tudo que é animal e, mais ainda, de tudo que é matéria, este temor dos sentidos, este horror da felicidade e da beleza; este desejo de fugir de tudo que é aparência, mudança, dever, morte, esforço, tudo isso significa vontade de aniquilamento, hostilidade à vida, recusa em se admitir as condições fundamentais da própria vida. Não é exatamente isso o que grande parte das igrejas fazem?

O mais interessante é o Primeiro Livro de Adão e Eva. Seguem trechos:

 

VI, 7, após o pecado de Eva, Deus fala: “Mas o maldoso Satã, que não se manteve em sua primitiva condição nem conservou sua fé – nele não havia boa intenção em relação a Mim e, embora Eu o tivesse criado, ainda assim Me desprezou e buscou a divindade, de modo que Eu o atirei do céu para baixo –, ele foi quem fez a árvore parecer agradável a vossos olhos, até que comestes dela, obedecendo-lhe.”

XVII, 1-2, após a expulsão do paraíso: “Então Adão e Eva saíram pela boca da caverna e caminharam em direção ao jardim. Mas ao aproximarem-se dele, defronte ao portão oeste, do qual viera Satã quando enganou Adão e Eva, encontraram a serpente que se tornara Satã, e que tristemente lambia o pó e se arrastava com seu peito no chão, por causa da maldição de Deus”.

XXVIII, 1-4 e 12-14, a segunda tentação de Adão e Eva: “Quando Satã, aquele que odeia tudo o que é bom, viu como eles continuavam em oração, e como Deus se comunicava com eles e os consolava, e como Ele aceitara sua oferenda, Satã criou uma visão. Ele iniciou transformando suas hostes; em suas próprias mãos havia um fogo flamejante, e eles estavam envoltos em uma grande luz. Em seguida, colocou seu trono próximo à boca da caverna, pois não podia entrar nela por causa das orações que proferiam. E lançou luz para dentro da caverna, até que a caverna reluziu sobre Adão e Eva; enquanto isso, suas hostes começavam a cantar louvores. E Satã fez isto para que quando Adão visse a luz, pensasse consigo mesmo que era uma luz celeste, e que as hostes de Satã eram anjos (…). Tão logo Adão disse essas palavras, um anjo de Deus apareceu-lhe na caverna e disse-lhe: “Ó Adão, não tenhas medo. Este é Satã com suas hostes (…)”. Em seguida o anjo afastou-se de Adão, agarrou Satã e o despojou do disfarce que assumira, e levou-o em sua verdadeira forma, horrenda, a Adão e Eva, que ficaram com muito medo ao vê-lo. E o anjo disse a Adão: “Esta forma horrenda tem sido dele desde que Deus o fez cair do céu (…)”.

No restante do livro, Satanás ainda tenta Adão e Eva várias vezes. Em um interessante trecho, Deus fala a respeito dele a Adão: “Compreende a respeito de Satã, pois ele procura enganar-te e a teus descendentes que virão” (XXIX, 4).

 

Pois é, toda a satanalogia usada hoje pelas igrejas, principalmente as neopentecostais, em que os pastores falam mais de Satanás do que de Deus ou de Jesus – e os fiéis adoram! –, está nesse apócrifo. Está tudo aí: o mito do “anjo caído”; a serpente como Satanás; Satanás como um ser fisicamente horrendo; Satanás como fonte de todo o mal; Satanás acompanhado de hostes malígnas; Satanás como invejoso do homem etc. Percebe-se claramente, no texto, o discurso do ódio e inveja de uma figura que foi celeste em relação ao homem. Não estamos diante de uma grande apologia ao homem como medida de todas as coisas (Protágoras)?

Será que as igrejas não percebem que doutrinam e pregam em cima de algo que não está na Bíblia? Foram os apócrifos, como os citados Testamento dos Doze Patriarcas e o Primeiro Livro de Adão e Eva que sistematizaram o mito.

Esse absurdo chegou ao cúmulo de muitos crentes não conseguirem explicar a razão do sacrifício de Jesus na cruz sem fazer menção ao diabo ou ao inferno! Não sabem quão longe estão da verdadeira mensagem bíblica!

O fato e a verdade é que a figura de Satanás é totalmente dispensável na narrativa bíblica. O exemplo que os defensores da existência de Satanás levantam é sempre este: “Então quem tentou Jesus no deserto?!”.

Demonstro como a figura de Satanás é dispensável.

Lucas 4:1-2, no original grego, traz algo curioso e fantástico, conforme já tratamos no artigo “Espírito Santo: terceira pessoa divina?”. Um espírito guiou Jesus para o deserto e ele foi tentado pelo “diabo” (diabolos). Essa passagem não adota a linha das outras passagens que mencionam o Espírito Santo relacionado a Jesus, segundo as quais Jesus sempre estava cheio “do Espírito Santo” de Deus. Nesta, ele está cheio de “um espírito santo”, maneira como o texto grego se apresenta todas as vezes que mencionam o Espírito Santo relacionado ao homem. Ora, o texto grego está tratando aqui Jesus como um homem comum! E ele foi tentado logo em seguida, “pelo diabo”. Um dos significados da palavra diabolos é “separação”. É exatamente do que trata a passagem bíblica. Jesus é, pela primeira vez, apresentado como um simples homem no texto original grego, pois porta “um espírito santo”, e não “o Espírito Santo”, e nessa condição frágil, carnal, e, portanto, separada da condição da divindade, presente em passagens como Mt 12:18, é tentado. O resultado foi a tentação por seus próprios impulsos humanos e carnais. Foi a primeira vez em que Jesus sentiu na pele o peso da carnalidade humana! Assim, toda a passagem pode ser interpretada desta forma:

Jesus, no deserto, pensa consigo mesmo “Sou Deus! Estou com fome, por que não transformar esta pedra em pão? Não, está escrito: não só de pão viverá o homem. Sou Deus. Por que não possuir todos os reinos do mundo, ter autoridade e poder? Não. A quem eu estaria adorando? Está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto. Por que não demonstro a todo esse povo que sou Deus? Por que não me atiro do pináculo do templo, para que os anjos venham me sustentar em suas mãos perante todos? Não, está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus.”

 

É uma belíssima passagem, mas que se perde por causa dos vícios da tradução e da interpretação. Trata de um conflito entre a natureza divina e a natureza humana, que voltaria a se repetir no jardim do Getsêmani.

Para quem é útil a crença no diabo como um ser pessoal e fonte de todo o mal? Para a Igreja. Assim como a crença no Espírito Santo como terceira pessoa divina (ver artigo “Espírito Santo: terceira pessoa divina?”), o diabo dá autoridade, mistério e poder para a Igreja, instituição ilegítima e manipuladora da mensagem original (ver artigo “Era vontade de Cristo criar a Igreja?”). Citamos, naquele artigo, famoso trecho de “Os Irmãos Karamazov”, que é, inclusive, mencionado por Philip Yancey:

“Em “Os irmãos Karamazov”, um Inquisidor estabelece uma acusação contra Jesus: rejeitando as três tentações no deserto (transformar pedra em pão, atirar-se do pináculo do templo e salvar-se e adorar a Satanás em troca de todos os reinos no mundo), Jesus perdeu o direito aos três grandes poderes que estavam à sua disposição: “milagre, mistério e autoridade”. O Inquisidor achava que Jesus deveria ter seguido o conselho de Satanás e realizado os milagres pedidos para aumentar a sua fama entre o povo. Devia ter recebido a oferta de autoridade e poder. Será que Jesus não percebeu que o povo desejava mais do que tudo adorar o que está inquestionavelmente estabelecido? “Em vez de tomar posse da liberdade dos homens, aumentaste-a, e queimaste o reino espiritual da humanidade com seus sofrimentos eternos. Desejaste o amor livre do homem, que ele te seguisse livremente, atraído e cativo por ti”. Ingenuidade? Ao resistir às tentações de Satanás de suprimir a liberdade humana, Jesus tornou-se difícil demais de ser aceito. A Igreja reconheceu o erro e o corrigiu, e tem-se apoiado no milagre, no mistério e na autoridade desde então”.

A Igreja se garante como única instituição que pode livrar os fiéis das forças demoníacas. Ela vicia seus fiéis com pregações entusiastas que se concentram mais na figura do mal do que no bem. Se é procurada, ganha autoridade. Se os fiéis ficam dependentes, e, assim, pagam seus dízimos e dão ofertas, ganha poder. O culto “racional”, de que falava Paulo (Rm 12:1), não existe mais, pois não há espaço para explicações racionais: tudo é mistério!

Será que os cristãos não percebem que, ao crerem num Satanás, automaticamente estão reduzindo o poder de Deus? Ora, se o bem e o mal provêm de Deus, como está escrito em Gênesis 2:9, em Josué 24:20, em 1Samuel 16:23, em Lamentações 3:38 etc., a crença num Satanás como fonte do mal já divide o poder de Deus ao meio! Não percebem os cristãos que, ao fazerem isso, ofendem a Deus e, por conseqüência, o seu primeiro mandamento (Ex 20:3)? Será que os cristãos não percebem que a própria instituição do inferno é contrária à natureza de Deus mostrada na Bíblia? Se o que o homem perdeu (Gn 3:22) e o que lhe é prometido (Ap 22:14) é a vida eterna (a árvore da vida), aquele que não for salvo, simplesmente, perdê-la-á! Por que inventar que está reservado para os que não obterem o galardão final o sofrimento eterno em chamas zoroastrianas? Não é a perda da vida eterna, isto é, a extinção final e irremediável, sofrimento suficiente? Por que esse ódio e tanta violência?

Pobres cristãos. Acordem!

 

 

 

13 Respostas to “Satanás e Inferno existem?”

  1. Mats Says:

    o Espírito Santo é Mencionado nos primeiros capítulos Bíblia. Como é que pudeste não notar?

    Satanás também é mencionado no capítulo e de Génesis.

    O inferno é aludido em Daniel 12:2

    Isto tudo é o que eu me lembro de cor.

    Porque é que negas uma coisa que é tão facilmente confirmável?

  2. Tiago Says:

    Vc tem certeza de que leu o que eu escrevi? Pois esse seu comentário é inútil.
    Daniel também é da época pós-exílio babilônico, então não ajuda em nada na sua argumentação.

  3. provisao Says:

    querido tiago espere o nosso encontro ja esta marcado

  4. Mgo28. Says:

    Já q satã ň existe vc ň acha q Deus foi o autor da queda do homem? Ou foi?

  5. Tiago Says:

    Parece que vc não leu o texto. Se tivesse lido, não teria feito a pergunta. E se leu, nada entendeu! Uma pena.

  6. Mgo28. Says:

    Veja se eu entendi? Oq vc ta dizendo é q satã ň existe, q toda fonte do bem e do mal vem do próprio Eterno e q o culpado pela queda foi o próprio homem?

  7. Tiago Says:

    O texto fala basicamente que satanás é um elemento incorporado como discurso de outra tradição religiosa, que não encontra fundamento na própria bíblia, e que é, além disso, totalmente dispensável dentro da lógica bíblica. Deus é fonte de todo o mal, assim como de todo o bem. E o homem é mau o bastante para não precisar de “ajuda externa” para ser mau. É Deus quem potencializa e oferece as situações para o homem manifestar a sua maldade. Sobre a “queda” do homem no Éden, dentro da lógica bíblica, a própria natureza do homem o levou a isso, com a oportunidade oferecida pelo próprio Criador.

  8. Mgo28. Says:

    Então ql é o sentido da salvação? Porque Jesus se manifestou?

  9. Tiago Says:

    A salvação não tem sentido na forma como aparece no discurso majoritário da igreja. E se vc acha que a figura do diabo é necessária para dar sentido à ideia de salvação, então vc realmente não pegou a mensagem bíblica. Cuidado com o discurso das igrejas. Geralmente esse discurso não encontra sintonia com o que está na bíblia. Leia os outros posts deste blog. Podem abrir os seus olhos.

  10. Mgo28. Says:

    Tiago.
    Entendo, mas oq me intriga é o fato de pessoas ficarem possuidas cmo vc bem sabe. Como vc explica isso? Então Jesus mentiu? Me desculpe pela ignorância.

  11. Tiago Says:

    Possessão demoníaca? Tipo do filme “O Exorcista”? Nunca vi, nunca conheci ninguém que tenha visto. A ciência já explica esses fenômenos. Dependendo do caso, pode ser doença mental, psicose, síndrome de Tourette, transtorno dissociativo, poder de sugestão etc. etc, ou, simplesmente, uma armação.

  12. Mgo28 Says:

    Então tiago estou dizendo isso por experiência própria, já expulsei ” demonios” usando o nome de Jesus e garanto a vc q eles OBEDECEM. Ň sei por quanto tempo vc permaneceu em uma denominação pra ter umas experiências cmo eu tive. Eu sou testemunha viva de q isso realmente exixte.

  13. Tiago Says:

    Bem, como disse, há várias explicações racionais disponíveis para esses eventos. Cada caso é um caso. Em julgamentos criminais, há registros de pessoas com múltiplas personalidades, quando uma dá lugar à outra, de uma hora pra outra. Há casos impressionantes, que pessoas simples e sem estudo poderiam facilmente chamar de “possessão”. O cérebro humano é bem complexo. Haverá sempre uma explicação racional para o fenômeno, tenha certeza.

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