Deus? Onde? Quando?

Uma questão ainda me intriga até os dias de hoje: a mente humana tem condições de criar um Deus? Biólogos como o Richard Dawkins vêem na religião um subproduto da evolução. Será que o pensamento abstrato não seria um exemplo de complexidade irredutível, o que dificultaria a sua compreensão por meio da evolução? Esse é um campo rico que religiosos em geral poderiam explorar, mas parece que ninguém se interessa. A mediocridade não deixa! Bem, vou deixar aqui a minha contribuição.

 

Para o biólogo Edward O. Wilson, a mente humana evoluiu para acreditar em Deus. Ele sugere que a busca de Deus pelo homem não passa de uma herança genética dos nossos antepassados. Segundo ele:

 

A religião é uma conseqüência normal da evolução genética do cérebro. Em primeiro lugar, precisamos concordar que não há nenhuma evidência da existência de uma vida transcendental. Já os estudos sobre o comportamento humano indicam que nossa inclinação para a religião pode ter evoluído do comportamento de submissão animal. Explico: em bandos de macacos rhesus, por exemplo, o macho dominante do grupo caminha firmemente com a cauda e a cabeça erguidas, enquanto os macacos dominados mantêm a cabeça e a cauda baixa, em sinal de respeito ao líder do bando. Estar subordinado a um líder dá a esses animais mais proteção contra os inimigos e garante a eles maior acesso aos alimentos e ao abrigo. Qualquer cientista comportamental que viesse de outro planeta estudar o homem perceberia facilmente a semelhança entre esse comportamento de submissão e a tendência humana de se submeter a um Deus.

 

É uma tese aceitável? Fazer um nexo entre o comportamento de submissão animal e a tendência humana de se submeter a outros homens é uma ponte razoável, mas incluir a submissão a um ser transcendental parece ser um salto muito maior e que foge à propriedade da comparação. O conceber o transcendental deve ser separado do se submeter a ele. A grande pergunta, que intriga a mente de mitólogos, filósofos, antropólogos e até biólogos, é: como o cérebro conseguiu conceber algo sobrenatural, transcendental, fora da natureza? Quando e como se deu esse salto na evolução cerebral humana? Essa concepção advém do que antropólogos chamam de inteligência simbólica; a mesma utilizada para o desenvolvimento da arte.

 

 

O fato de um homem pintar, nas paredes de uma caverna, animais que vê em seu mundo tridimensional diário é uma coisa; reproduz-se uma experiência sensível. Mas conceber um ser sobrenatural, fora desse mundo, inexistente, é outra; é a inteligência simbólica levada às suas últimas conseqüências, literalmente!

 

Se a tese de Wilson estiver correta, ou seja, se a mente humana tiver de fato evoluído para acreditar em Deus, não deveriam as perguntas que as crianças fazem em seus primeiros anos de vida refletir essa evolução psicológica? Mas não é isso o que se observa na prática. Esse nível de sofisticação da inteligência simbólica está ausente, o que indica que a idéia do sobrenatural foi acrescentada a elas com a experiência. Como observou Piaget, no primeiro estágio de teorização, as crianças supõem-se pré-existentes, mas suspeitam que os pais devem ter algo a ver com o mistério. O mitólogo Joseph Campbell levantou algumas perguntas interessantes feitas por crianças:

 

 

“Quem fez o sol?” (criança de dois anos e meio).

“Quem coloca as estrelas no céu à noite?” (três anos e meio).

“De onde vêm os ovos?” ( dois anos e três meses).

“Papai, havia pessoas antes de nós?” “A terra já existia antes de haver pessoas nelas?” “Como ela (a terra) veio parar aqui se não havia ninguém para fazê-la?” (dois anos e meio).

 “Houve uma mãe antes da primeira mãe?” (quatro anos e cinco meses)

“As pessoas voltam a ser bebês quando ficam muito velhas?” (quatro anos e dez meses). 

 “Quando a gente morre, a gente volta a crescer?” (cinco anos e quatro meses).

 

 

Será que a imagem querida da figura parental, que tudo sabe e tudo pode, é simplesmente transferida para a difusa imagem de um Deus antropomórfico? Muitos psicólogos assim acreditam. Mas não é o que está presente na mente infantil, como se observou acima. É possível que façam a associação do pai com o Deus antropomorfizado, mas a concepção em si do Deus elas não fazem, apesar de já conceberem a possibilidade de vida após a morte, através da idéia de “voltar a ser bebê depois de velho” ou “voltar a crescer depois da morte”. São construções lógicas dentro de uma concepção cíclica da vida. Mas a idéia de Deus é uma concepção dada de fora, já fabricada.

 

 

A inteligência infantil faz transparecer que a visão cíclica da vida é inata. A suposição da pré-existência, como já apontava Piaget, e a volta a um estágio anterior depois da morte são idéias já presentes na mente infantil. Portanto, conceber a vida numa lógica de princípio, meio e fim não parece ser inata. Esse tipo de concepção veio ao homem através da cultura cristã. A cultura grega, anterior, concebia a existência de forma cíclica, assim como fazem as sociedades orientais. Quem inventou um começo e um fim para a História foram os semitas e a cristandade!

 

 

A filosofia oriental não dá lugar à mudança, à transformação. A História não é elemento importante na cultura oriental. Antes de Cristo, na cultura ocidental, as obras históricas de Heródoto, Tucídides e Políbios nos permitem observar que a História era concebida sob o signo da memória e da dupla determinação da fortuna, isto é, da contingência que percorre as ações humanas, e da presença de causas que determinam o curso dos acontecimentos independentemente da vontade humana. Resumindo, o homem não fazia a História; ele era objeto dela.

 

 

Por que na mente humana a idéia da existência cíclica é inata? Porque é mais simples, exige menor nível de abstração intelectual. A natureza sempre escolhe os caminhos mais simples e lógicos para se desenvolver. Nada se cria, tudo se transforma! Portanto, o pensamento linear parece ser, biologicamente falando, artificial. Foi acrescentado pela experiência, pela cultura.

 

 

Mas a pergunta ainda não calou: de onde veio a propriedade sobrenatural atribuída a um ser se não existem indícios sensíveis de sua existência? Como foi feita a conjugação do Não-Ser com o Ser? Conhecer como evoluiu a mente humana, desde seus primórdios, ajudaria a responder a pergunta?

 

Há cerca de 5 milhões de anos temos, pela primeira vez na História, a presença de um animal cuja vida se baseava não só no instinto, mas também na inteligência. Eram os australopitecos – semente da espécie humana. Quando deixaram de ser herbívoros para se tornarem carnívoros, seus intestinos diminuíram, houve uma afinação da caixa torácica e, conseqüentemente, surgiram os primeiros hominídeos de cintura fina. Além disso, o rosto ficou mais fino, já que a face não precisava mais dar tanta ênfase para a força de mastigar a dura dieta vegetal das savanas africanas. Poderíamos chamar esse fenômeno de “feminização do hominídeo”? Não teria sido esse fenômeno metaforicamente descrito em Gênesis por meio da cena clássica da costela retirada do homem (redução da caixa torácica com a mudança da dieta alimentar) e formação da mulher (figura hominídea de rosto e cintura mais finas)?

 

Há mais proteínas num rato do que numa raiz: as sobras da dieta alimentar possibilitaram o crescimento do cérebro. Com o rosto mais fino, a face também deu mais ênfase ao tamanho do cérebro. Por volta de 1,8 milhão de anos atrás temos o homo erectus: alto, magro, rápido e com cérebro grande. Graças à revolução alimentar, inaugurou a fase de fabricação de ferramentas; o que indica a presença, pela primeira vez, de raciocínio abstrato, já que a fabricação desses utensílios pressupõe uma noção de futuro. O surgimento do “homem tecnológico” fez com que os dentes fortes de antes fossem substituídos por ferramentas!

 

Um outro tipo de inteligência começa a aparecer também: a inteligência social. Os hominídeos percebem que possuem mais chances de sobrevivência se permanecerem mais unidos, fato que faz surgir os primeiros rudimentos da linguagem. Há resquícios do padrão de linguagem do homo erectus nas vozes das crianças pequenas, de 1 a 2 anos de idade. Elas nascem com a laringe mais alta, o que produz aquela característica fala infantil, também chamada de protolinguagem.

 

Freud certa vez fez uma relação interessante entre evolução da inteligência e evolução da linguagem. Ambas estão intrinsecamente relacionadas:

 

Em povos primevos, deparamo-nos com o fenômeno mental que descrevemos como sendo uma crença na “onipotência de pensamentos”. Em nosso juízo, esse fenômeno reside numa superestimação da influência que nossos atos mentais (intelectuais) podem exercer na alteração do mundo externo. No fundo, toda a magia das palavras encontra aqui seu lugar, e a convicção do poder ligado ao conhecimento e à pronúncia de um nome. A “onipotência de pensamentos” foi expressão do orgulho da humanidade no desenvolvimento da fala, que resultou em tão extraordinário avanço das atividades intelectuais. Escancarou-se o novo reino da intelectualidade, no qual idéias, lembranças e inferências se tornaram decisivas, em contraste com a atividade psíquica inferior que tinha como seu conteúdo as percepções diretas pelos órgãos sensórios. Esse foi, indiscutivelmente, um dos mais importantes estádios no caminho da hominização.

 

Se Freud estiver certo, então o desenvolvimento da inteligência simbólica pode ter se dado graças ao desenvolvimento da fala.

 

 

Por volta de 200 mil anos atrás, já se testemunhava que o homo neanderthalensis possuía um cérebro tão grande quanto os nossos atuais. Eles foram os primeiros a começar a enterrar os seus mortos, garantindo a sua volta ao útero, para que, talvez, renascessem. Não há nada de risível ou absurdo nessa idéia, pois todos nós (hoje ocidentais cristãos), por volta dos quatro ou cinco anos de idade, exteriorizávamos isso de forma extremamente lógica e espontânea. Lembra-se das perguntas das criancinhas no início do texto?

 

Há 100 mil anos, a Terra abrigava três tipos de humanos: os homo neanderthalensis (Europa), os homo sapiens (África) e os homo erectus (Extremo Oriente). Hoje a Terra só tem um tipo. O que aconteceu? O que fez a diferença? Provavelmente o cérebro!

 

Por volta de 40 mil anos atrás, época em que os humanos atingiram a Austrália, aconteceu a primeira Revolução Tecnológica da História. Surgiram mais ferramentas, e feitas de materiais mais diversificados, como ossos, chifres e marfim. Pouco mais tarde, por volta dos 30 mil anos, surge a arte. Nessa época, entre 40 e 30 mil, também ocorre o primeiro encontro entre homo sapiens e homo neanderthalensis, na Europa. Será que há alguma relação entre o salto intelectual da mente e o confronto?

 

Cientistas acreditam que a mudança na mente ocorrida há 40 mil anos, que ocasionou grande mudança cultural a partir de então, está relacionada à mudança na natureza da linguagem. Parece que Freud estava certo! Os homo sapiens tinham laringes mais baixas, permitindo que os músculos da boca pudessem articular maior variedade de sons. Já os homo neanderthalensis, como a maior parte dos mamíferos, possuíam laringes mais altas. Isso significa que os homo sapiens tinham algo mais avançado do que os neanderthalensis: gramática e sintaxe! Isso também significa que a troca de idéias entre os sapiens era mais sofisticada do que entre os neandertais. O resultado foi a vitória da inteligência sobre a força. Os neandertais desapareceram do mapa. Até hoje, no outro lado do mundo, não se sabe por que o homo erectus tornou-se extinto na Ásia.

 

 

No entanto, não há sinais de alteração cerebral nesses anos. O cérebro não se alterou em tamanho nem há sinais de uma reorganização cerebral radical. Isso significa que não houve salto evolutivo no cérebro no período de 40-30 mil anos atrás. Como explicar então a Revolução Tecnológica? Como explicar a arte? De fato, o homem já vinha desenvolvendo uma inteligência simbólica desde a África (por volta de 100 mil anos atrás) com o uso do ocre. Não foi uma aparição repentina. Mas tanto a arte como a técnica deram um salto na Europa nos 40-30 mil anos. E por que Europa?

 

A resposta parece simples, como todo bom economista já deve ter percebido: a concorrência entre sapiens e neanderthalensis foi a causa do salto artístico e tecnológico. O poder da linguagem do povo das laringes baixas destruiu os músculos dos laringe-alta.

 

Há seis parágrafos atrás, eu havia dito que, se Freud estivesse certo, então o desenvolvimento da inteligência simbólica poderia ter se dado graças ao desenvolvimento da fala. Parece que agora temos fortes indícios de que realmente isso é verdade.

 

 

De 30.000 a 10.000 a.C., após a revolução intelectual dos 40-30 mil, dominou a Terra um tipo de ser humano novo e superior aos anteriores, chamado de Cro-Magnon. Existem provas substanciais de que ele tinha idéias muito evoluídas de um mundo com aspectos sobrenaturais. Dispensava mais cuidados aos corpos dos defuntos do que o homem de Neanderthal, pintando os cadáveres, dobrando-lhes os braços sobre o coração e depositando pingentes, colares e armas ricamente lavradas em suas sepulturas.

 

Alguns defendem que o homem de Cro-Magnon formulou ainda um complicado sistema de magia simpática, destinada a aumentar suas provisões de alimentos. Ela baseava-se no princípio de que a imitação de um resultado desejado há de acarretar esse resultado. Aplicando esse princípio, o homem pintava murais em suas cavernas, representando, por exemplo, a capturas de renas na caça. Também modelava bisões ou mamutes em argila, trespassando-os com dardos. O historiador Edward Burns já sugeriu que talvez encantamentos e cerimônias acompanhassem a execução dessas pinturas e imagens e que sua produção se desse enquanto a caça verdadeira estava em andamento.

 

Outros atacam essa tese, afirmando que a hipótese da caça é enfraquecida pelo fato de a maioria dos animais retratados nas pinturas não serem caçados, conforme atestam os depósitos de ossos dos acampamentos humanos daqueles lugares e daquelas épocas. A maior parte da caça era de animais de porte pequeno e médio, que não eram retratados. Então por que desenhavam animais de grande porte, que não eram caçados, sendo caçados, trespassados por dardos? Será que tais animais eram vistos como bestas mitológicas a serem exterminadas?

 

Normalmente animais de grande porte eram os escolhidos para essas crenças, pois temidos. Nas sociedades primitivas que estudou, Campbell reuniu registros de touros, búfalos, assim como de lobos e cobras, que não são animais de grande porte, mas eram igualmente temidos. Quando reproduzidos, geralmente seus tamanhos eram exagerados. Algo parecido com o visto nas cavernas dos Cro-Magnon foi recentemente interpretado como prática religiosa algumas décadas mais antiga. O achado vem de uma caverna escondida nas Colinas Tsodilo, em Botsuana (sul da África), uma espécie de Meca para os habitantes locais, que as chamam de Montanhas dos Deuses. O que foi encontrado? Uma pedra de seis metros de comprimento, com a aparência de uma gigantesca cobra, com pontas de lanças nas suas proximidades. Evidência de comportamento ritual, ainda mais antigo que os dos Cro-Magnon, datado de 70 mil a.C! A descoberta é importante porque, antes dela, pesquisadores haviam identificado sinais de prática ritual com no máximo 40 mil anos, em sítios da Europa. Essa descoberta aponta novamente para os homo sapiens, os que tinham a linguagem mais desenvolvida!

 

Será que a pronúncia de nomes e a reprodução de sons e imagens geraram a idéia de sobrenaturalidade? Percorremos um longo caminho até aqui. O cérebro humano, por meio da fala, desenvolveu a idéia de sobrenaturalidade? Há poder ligado ao conhecimento e à pronúncia de um nome? Segundo Freud, sim! Há, de fato, evidências históricas que corroboram a tese. É algo que vem com o homem desde 70 a.C., pelo menos.

 

A Bíblia, no início do livro de Gênesis, parece traçar as linhas gerais dos primórdios da história humana. Gn 1:1-2 diz que, no princípio, a terra era sem forma e vazia. Provavelmente esse versículo se refere ao que havia antes do advento da consciência. O versículo talvez se reporte à pergunta que o professor de biopsicologia Victor S. Johnston se fazia: como o mundo seria sem a consciência? Não passaria de um “amontoado de matéria e energia sem cores, luz, cheiro, sabor, textura”. A Terra era de fato sem forma e vazia! Em Gn 2:4, a força sobrenatural criadora ganha um nome, YHWH (algo como “Eu sou”). Em seguida, temos o confronto entre sapiens e neanderthalensis, reproduzido na Bíblia, por meio de uma metáfora: a briga entre Caim e Abel. Caim representa os sapiens; Abel, os neanderthalensis. Será?

 

Mas ainda falta desvendar o mistério da concepção de um Deus. Pelo que se percebe da ponte poder-nome e das magias simpáticas dos botsuanos antigos e dos Cro-Magnon, a figura de um Deus não é necessária. Mas as palavras do biólogo Edward O. Wilson, transcritas no início dessa seção, parecem ganhar novo valor: será que a mente humana realmente se desenvolveu para acreditar em Deus? Fazer agora uma ponte entre a relação poder-nome e a concepção de um pai-natureza ou uma mãe-natureza não parece ser tão complicada assim. Mas as razões de Wilson parecem equivocadas. A causa não é a submissão animal, mas a “onipotência de pensamentos” aplicada à natureza.

 

Talvez por isso que as crianças não apresentam esse grau de inteligência simbólica, pois seu nível de linguagem e sociabilidade (troca de idéias) ainda é muito incipiente. Leva-se anos para se conceber um Deus! Assim como o ser humano levou milhões de anos.

 

Analisando a inteligência simbólica, tudo leva a crer que a experiência também foi fundamental para o seu desenvolvimento. Nos anos 4500-3500 a.C. (Neolítico Superior) aparecem, subitamente, os desenhos geometricamente organizados dos estilos de cerâmica de Halaf, Samarra e Obeid. Esse tipo de organização geométrica do espaço era uma coisa nova no mundo e seu aparecimento levanta uma questão fundamental: por que, exatamente quando surgiu um novo estilo de vida de aldeia, surgiu também a arte de formas abstratas geometricamente organizadas? A resposta parece estar no fato de que no período das sociedades de caça anteriores não havia diferenciação das funções sociais, a não ser de acordo com o sexo e a idade – cada indivíduo era tecnicamente um mestre de toda a herança cultural e as comunidades, portanto, eram constituídas de indivíduos praticamente equivalentes – enquanto isso, nas comunidades maiores e mais diferenciadas do Neolítico Superior, já se havia iniciado a tendência para a especialização, que no período seguinte atingiria seu apogeu. No nível de uma sociedade primitiva, ser adulto consistia em ser um homem total. No tipo posterior de sociedade, ser adulto consiste em adquirir, primeiramente, uma certa arte ou habilidade especial e só então a capacidade de suportar ou sustentar a tensão sociológica e psicológica resultante entre a própria pessoa e os outros com treinamento, capacidade e ideais totalmente diferentes, que constituem os outros órgãos necessários do corpo social. A súbita aparição, no Neolítico Superior, de uma forma de arte composta geometricamente, em que elementos díspares eram unidos como um todo harmônico, parece indicar que algum problema psicológico dessa ordem já tivesse começado a aparecer. O que indica a provável origem da multiplicação de deuses (politeísmo) imanentes, reproduzindo a vida social.

 

O politeísmo pode ter de fato surgido assim, o que corrobora a tese de Wilhelm Schmidt de que a primeira manifestação religiosa humana foi monoteísta. Em seu livro “A origem da idéia de Deus”, Schmidt sugere que houve um monoteísmo primitivo antes de homens e mulheres começarem a adorar vários deuses. É uma tese que se coaduna com a idéia de sociedade primitiva/homem total (monoteísmo) e sociedade complexa/homem parcial, especializado (politeísmo).

Inteligência simbólica, fala, onipotência dos pensamentos… a criação de um Deus. Sim, possível… Mesmo assim… não seria dar um salto muito ousado? Ou será que não?

3 Respostas to “Deus? Onde? Quando?”

  1. Flávio Dantas Says:

    Alôôô!!!!… Ô ex-cristão!!!!! Acorda!!!! Tens na cabeça miôlo de abóbora é??

    Richard não sei das quantas, e tantos outros da linhagem evolucionista, nunca tiveram uma cabeça pensante emcima do pescoço, mas sim uma abóbora…Cerébros inútei!!

    Espero pelo menos que tenham se arrependido antes do fim de suas vidas.

    Flávio Dantas mais uma vez defendendo as evidências de Deus… Se é que Ele precise ser defendido por um simples mortal como eu!!

    É…Eu vim de galho em galho passando várias gerações de meus ancestrais, e hoje estou aqui diante de um computador, enviando e-mails, e debatendo com outros que descendem do macaco, buscando aprender a origem ser supremo que nos criou. Que besterol é esse gente! É falarmos do preço da penca de bananas..Quanto ta custando no ceasa???

    Recife, 10 deAgosto de 2009

  2. Tiago Says:

    Caro Flávio,

    Vc se acha muito especial, mas veja que nem sequer sabe escrever direito. Mas isso é comum entre os cristãos, não se preocupe. E não sabe nada sobre evolução. Descendemos do macaco???!!! Darwin nunca disse isso. Isso é senso comum, opinião burra de quem nunca leu a teoria. Quem é mesmo que tem cérebro de abóbora?!!
    Se prepare melhor antes de postar qualquer coisa aqui, porque, desse jeito, vc apenas envergonha a sua classe (os cristãos).

  3. Valdir Da Silva Says:

    Seguindo este teu raciocinio, aprendo que seria uma estupidez um criador(ser transcendental) deixar alguma pista de sua existencia atraves de metodos que a consciencia humana nao desenvolvida (homo sapiens) pudesse entender ou aprender sobre como tudo foi criado ou chegou existir. Se o criador(supondo pra quem ler que ele exista) escrevesse isto em um livro para o explicar provavelmente este ser nao evoluto mentalmente comesse este objeto por pensar que fosse pra isso que estava alì … em outras palavras; foi somente depois que o criador preparou a consciencia e a mente do ser criado è que ele pode dar sinais de sua existencia … Quanto as respostas às perguntas das crianças faz parte de um avanço na consciencia de cada ser, que, acredito, na nossa geração, muitos ainda nao desenvolveram e que, creio eu, tenha ligação com alguma coisa que diz que a Fè è o firme fundamento das coisas que nao se veem e a certeza absoluta das coisas que se esperam … Pode ser loucura?, porque não visto que se um homem prè historico pudesse ressucitar nesta nossa epoca ele enlouqueceria com tanta evolução de conhecimento e consciencia e seriam respondidas jà muitos dos seus questionamentos a respeito de muitas coisas.
    Nao tenho nenhuma dificuldade em crer em um ser transcedental, nao estou querendo dizer com isto(seguindo o meu raciocinio exposto ascima) que sou uma mente mais brilhante e evoluida que aqueles que nao pensam assim, pelo contrario, è justamente porque creio que a evoluçao da mente que gera inteligencia e da vida à consciencia se encontra no fato de que devemos ser humildes e aceitar que existe uma mente superior à nossa que deu vida à tudo isso e que eu nao tenho nenhuma prova disso pra apresentar à ninguem senao a mim mesmo dentro daquilo que eu chamo de minha consciencia, que, por mais que eu tente me convencer do contarrio, nao consigo porque me foi colocado alì por este ser transcedental ….
    Obrigado pelo espaço
    valdirvec@hotmail.it

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