Lição da vida

Desde 2006 eu nunca mais coloquei os pés numa igreja. Isso depois de muitos anos frequentando várias delas. E desde 2006 que também não converso mais com Deus. Nunca mais fiz uma oração. O que mudou na minha vida? Nada. Tudo continua caminhando como sempre caminhou. E talvez até tenha melhorado. Depois que deixei a igreja concluí um mestrado e um doutorado, tive uma linda filha, fiz viagens maravilhosas, publiquei dois livros… Ah, sim, esses anos me fizeram muito bem! E digo mais: acho que sou mais feliz hoje do que era antes. Então pergunto a todas as pessoas cristãs que conheci na vida: como isso é possível? Eu me retirei do “ambiente de bênçãos”, deixei de pagar dízimos e dar ofertas, parei de buscar a Deus, passei a criticar os cristãos por sua crença sem fundamento… e tudo continua maravilhosamente bem. Mais! Tudo está bem melhor!

Diante de um desafio ou um problema qualquer, não peço mais a força de Deus. Eu passei a falar comigo mesmo: “Eu posso e farei!”. E faço! Diante do desconhecido e do frio na barriga, diante da vulnerabilidade e da doença, não peço mais ajuda a Deus. Eu digo comigo mesmo: “Enfrentarei! E que a vida siga o seu curso!”.

Não preciso de ajuda externa. Eu me viro. O que governa a vida são as contingências e a nossa competência em lidar com elas. Só isso. Adicionar mais pra quê? Adicionar sem necessidade, clamar por uma ajuda externa, isso tudo é covardia, moleza, é fuga, é preguiça. Ah, como cresci como ser humano quando descobri que sou independente e tudo posso se tenho ânimo, vontade e disposição! Só isso. A vida é simples. Enfrente-a. Não fuja dela. Complicar pra quê?

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13 Respostas to “Lição da vida”

  1. Alan Zamboni Says:

    Parabéns meu caro!!
    Que vc continue com este árduo, porém, gratificante trabalho de expressar a verdade.

    Abs.

    Alan Zamboni
    Sorocaba/SP

  2. Hugo de Melo Says:

    Talvez você tenha deixado de crer em Cristo para crer em outro ‘deus’… você mesmo. Decisão delicada.

  3. Tiago Says:

    Se for, ao menos é um deus cognoscível, e não um imaginário. Penso, logo existo! Optar pelo outro é que é delicado.

  4. Terezinha Machado Says:

    Você conheceu a Jesus e viveu com ele o Espírito Santo habita em você…uma x filho sempre filho…e Deus te ama e quer o seu melhor…Porque mudaria?Deus não é carrasco e punidor e sim amor!!! O que faz mudar nossa vida são nossas escolhas…

  5. marcelo Says:

    caraca,vc escreveu minhas palavras que não tenho coragem de dizer…

  6. CoralUnB Says:

    É muito interessante ver que, para alguém que se identifica como ex-cristão, você revela em seu texto uma ênfase equivocada do que seja um cristão ou do que é a vida cristã. Na verdade, é muito mais provável que você jamais tenha sido de fato um cristão, mesmo tendo frequentado igrejas por tantos anos ou provavelmente tendo crescido em um ambiente cristão, o que não faz de você um cristão. O cristianismo não é apenas a crença em um Deus único, ou a adoção de um estilo de vida específico, mas um relacionamento de amor mútuo com um Deus vivo, e a obediência incondicional a esse Deus, já que não estamos falando de um relacionamento entre dois seres que estão no mesmo nível. Ora, um relacionamento desta natureza afeta todos os aspectos de nossa vida, e a quebra deste relacionamento certamente teria efeitos marcantes. Esta é a razão pela qual eu creio que Jesus agonizava no jardim do Getsêmane, não por causa do sofrimento físico que o esperava, mas porque pela primeira vez na eternidade ele iria estar separado desse relacionamento com o Pai momentaneamente. Portanto, quando você diz que sua saída da igreja em nada mudou sua vida, esta é mais uma evidência de que talvez você nunca tenha tido esse relacionamento, e por isso talvez nunca possa dizer que foi de fato um ex-cristão, mas sim um ex-religioso.
    Em seu texto você se vangloria de ter tomado uma decisão que na verdade é compartilhada por bilhões de pessoas na face da terra, qual seja, a decisão de viver uma vida independente de Deus. Bilhões de pessoas, e eu diria a maioria das pessoas no mundo vive dentro desse padrão, o de não reconhecerem a Deus em suas vidas. Quanto a isso, eu digo “Grande coisa!”. E daí? Você está vivendo como a maioria das pessoas na mundo. O problema é que, como um possível ateu, você acha que este estilo de vida é uma necessidade para todas as pessoas e a única opção razoável para o ser humano, quando na verdade você apenas fez uma escolha. C. S. Lewis afirmou que “existem apenas dois tipos de pessoas no fim das contas: aquelas que dizem a Deus, ‘Seja feita a Sua vontade’, e aquelas para as quais Deus dirá no final, ‘Seja feita a sua vontade’. Todos os que estão no inferno, escolheram isso. Sem essa possibilidade de escolha, o inferno não existiria”. Dentro dessa perspectiva de relacionamento, a questão não é se eu posso ou não fazer coisas sem a ajuda de Deus. Mesmo como cristão, eu posso muitas vezes fazer coisas e tomar decisões sem a ajuda de Deus, o que às vezes insisto em fazer de forma tola. Quando eu era solteiro eu fazia muitas coisas sem minha esposa, e agora que sou casado eu continuo podendo fazer estas coisas sozinho, mas agora que estou em um relacionamento isso não faz sentido. Eu posso ir ao cinema sozinho, por exemplo, mas a questão não é se posso ou não, é que eu não quero. Eu posso fazer coisas sem Deus, mas essa não é a questão, a questão é que, conhecendo esse Deus maravilhoso, seu grande poder, e sendo constrangido pelo seu grande amor, eu não quero fazer nada sem Ele, mesmo as coisas que posso fazer sozinho. Minha dependência de Deus tem provado ser a coisa mais inteligente, confortante, corajosa (não covarde), que tenho experimentado. E como a maioria dos valores bíblicos são contraculturais, enquanto a independência é valorada como sinal de maturidade nesse mundo, na economia do Reino de Deus, quanto mais dependentes somos de Deus, mais maduros nos tornamos, e isso é a coisa mais realista se consideramos a extrema fraqueza e fragilidade humanas, que você insiste em negar, acreditando que é quase onipotente, o que é uma grande ilusão.
    Portanto, você fez uma escolha. Agora, eu não sei que tipo de igreja você frequentou, ou que tipo de ensinamentos religiosos você teve, mas acreditar que navegar nesse mundo independente de Deus o transforma automaticamente em um zumbi, em uma pessoa triste e miserável, e que isso trará consequências danosas imediatas, está longe de ser um ensinamento bíblico. Jesus afirmou que “Deus faz nascer seu sol sobre maus e bons, e faz a chuva cair sobre justos e injustos” (Mt. 5:45), ou seja, as bênçãos de Deus não atingem apenas um grupo seleto de pessoas mas estão disponíveis para todos. A Bíblia também retrata continuamente pessoas ímpias que levam uma vida próspera na terra. Não importa qual padrão moral você utilize (e obviamente você deve possuir um padrão de valores para afirmar que sua vida melhorou, ou que você é agora mais feliz, etc.), creio que irá concordar que existem inúmeras pessoas no mundo com comportamento moral duvidoso ou mesmo abominável e que prosperam economicamente ou pessoalmente e se acham felizes. A Bíblia nunca negou essa realidade. Aliás, a Bíblia afirma que o mundo jaz no maligno, ou seja, há um substrato demoníaco nos sistemas econômicos e políticos que operam no mundo, e se isso é verdade, então imagino que pessoas que negam a Deus em suas vidas vão navegar nesse sistema mundano de uma forma muito mais tranquila do que os que optaram por seguir a Deus. Jesus expressa essa realidade ao prometer a seus discípulos, “Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições” (Marcos 10:29,30). Paulo expressou a mesma promessa a Timóteo ao afirmar que “todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2 Timóteo 3:12). Todos os anos, cerca de 200 mil pessoas no mundo morrem por sua fé em Cristo, você caracterizaria isso como covardia, moleza, fuga, ou preguiça? A questão é que para elas, a promessa de Cristo em Marcos 10 não termina com as perseguições, se fosse apenas isso elas seriam de fato pessoas miseráveis, mas ela continua, “e no século futuro, a vida eterna”.
    Outra falácia, que infelizmente se propaga em alguns círculos religiosos, é acreditar que uma pessoa que leva uma vida sem Deus é invariavelmente uma pessoa infeliz. Ou melhor, considerando que o conceito de felicidade pode ter uma dimensão objetiva assim como subjetiva, eu diria que é um erro acreditar que uma pessoa que leva uma vida sem Deus invariavelmente se sentirá infeliz. A Bíblia afirma que “todos os caminhos dos homens são bons aos seus próprios olhos” (Prov. 16:2), o que não somente significa que as pessoas têm uma visão lisonjeosa de seus atributos morais, mas normalmente se vêem como pessoas felizes. Uma reportagem de capa da revista Veja de décadas atrás afirmava que cerca de 90% dos brasileiros se achavam felizes, e isso em uma época de desafios econômicos e em meio a uma ditadura militar. Estou convencido de que, se sairmos à rua perguntando às pessoas se elas se acham felizes, nós chegaremos a uma porcentagem semelhante de respostas positivas. Mas a Bíblia também afirma que “há um caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte” (Provérbios 16:25), ou seja, mesmo que alguns sigam um caminho onde se sentem bem ou felizes, isso não é indicativo que estão no caminho certo.
    A questão é que a mensagem do evangelho não é a da felicidade vista como um sentimento de bem-estar ou algo parecido, ou a da prosperidade. A mensagem do evangelho é a de arrependimento e remissão dos pecados. Palavras de Jesus ressurreto: “Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, e em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém”(Lucas 24:46,47). Jesus não veio para trazer felicidade ou conforto, mas Ele veio para salvar o perdido. Seus comentários espelham a mesma visão superficial do evangelho das igrejas que pregam a prosperidade e o bem-estar como o foco da vida cristã. E se esse não é o foco da vida cristã, seu argumento é fútil e vazio.
    Mais uma coisa: em sua aparente superioridade você não pode demonstrar tanta ingenuidade para dizer que não precisa de ajuda externa. Talvez você não ache que precisa da ajuda de Deus, o que não é verdade se assumirmos, mesmo por força do argumento, que Deus existe. Pois se Deus existe, então as próprias bênçãos advindas do esquema da criação lhe afetam positivamente de maneiras que você não pode controlar. Como dito anteriormente, o sol nasce sobre bons e maus, a chuva vem sobre justos e injustos, sobre aqueles que creem em Deus e sobre os que não creem. Mas todos precisamos de ajuda externa, pois vivemos em co-dependência de outros seres humanos. Você pode ter dinheiro para comprar comida no supermercado, mas esse dinheiro não valeria de nada se não houvesse quem produzisse os alimentos que você consome, ou oferecesse os transportes que você utiliza, ou a gasolina que você precisa para andar de carro. Você pode não buscar a Deus em um caso de doença, mas depende do médico e da medicina para se tratar. E acrescento que todo ser humano na face da terra vive de fé diariamente, pois não só dependemos uns dos outros, mas essa dependência assue quase sempre o caráter de fé. Quando você entra em um avião para viajar, você tem fé que tudo esteja em ordem para que o avião o leve a seu destino. Quando você vai atravessar uma avenida movimentada, você se posta na beira da pista tendo fé que nenhum carro vai subir na calçada e atropelá-lo, embora você não tenha nenhuma garantia disso. Algumas pessoas nessa situação já morreram porque um automóvel de repente saiu da pista e as atingiram. Recentemente eu fui à emergência de um hospital e uma das primeiras coisas que fizeram foi me dar dois comprimidos para tomar. Embora eu conheça um pouco de medicamentos, eu tomei os dois comprimidos por fé. Há uns dois anos atrás, vários pacientes no Rio Grande do Sul morreram ao tomar medicação gratuita vencida oferecida por um médico do hospital. Se você vai a um restaurante você tem fé que a comida não irá lhe fazer mal e que a mesma foi processada de forma higiênica, e por isso você a come. A maioria das informações que você absorveu na escola e tem como certas, você recebeu por fé, simplesmente acreditando no que o professor ou professora disse, não porque você checou e avaliou criteriosamente todas as evidências. Einstein dizia que sem um pouco de fé é impossível fazer ciência.
    Espero que você entenda também a sua afirmação de que “clamar por ajuda externa é covardia, moleza, fuga, preguiça” é apenas um julgamento moral, não um argumento de alguma coisa. Eu poderia muito bem dizer que em algumas circunstâncias não clamar por ajuda externa pode ser um sinal de covardia, moleza, fuga, preguiça, e muitos iriam entender. Portanto, é uma afirmação não muito útil.
    Minha última sugestão: se você escolheu viver uma vida sem Deus, aproveite bastante, pois para as pessoas que fazem esta escolha, a vida nesse mundo, com tudo de bom que ele pode oferecer, é o melhor que elas vão ter. Mas para aqueles que seguem a Cristo, a vida nesse mundo é o ponto mais baixo de nossa existência, o que vem depois é incomparável a qualquer experiência que podemos viver na terra.
    Grande abraço,
    Edson Carvalho

  7. Tiago Says:

    Edson, obrigado pelo comentário.
    Mas você verá nas linhas a seguir que o quadro que você pintou não é tão simples. Serei objetivo.
    1 – eu provavelmente não fui um cristão verdadeiro, você disse. Difícil de definir isso. Você é um? O seu irmão no banco do lado é um? De que estilo de vida você fala?, pois conheço vários cristãos e com estilos bem variados. Amor mútuo? Você, que é casado, responda para si: o que alimenta o amor? Como sua esposa perderia o seu amor? “Mútuo” depende do comportamento do outro. Obediência incondicional? Você segue todos os preceitos bíblicos? Até tudo o que está escrito em Levítico? Não. Você seleciona algumas coisas e ignora outras. Você sabe que sim. Mas onde está escrito que você pode selecionar? Por que então você seleciona? Agora multiplique isso pela quantidade de cristãos no planeta. Milhões que adotam alguns versículos e ignoram outros, interpretam alguns errado e outros certo, e pense na variedade e combinações possíveis. Temos milhões de cristãos diferentes!
    2 – você é cristão, “grande coisa”! Você está vivendo como milhões de pessoas vivem, conversando com um amigo imaginário. Eu ao menos não preciso disso. Para vencer um desafio, só dependo de mim mesmo e do meu esforço. Você vai pedir ajuda a um ser transcendente e tentar vencer a concorrência com essa ajuda. Ético? Para mim é só loucura mesmo. Mas o ponto principal é: você não é auto-suficiente, e isso é uma prisão. Você é um prisioneiro, eu não. A “grande coisa”, na minha vida, é que sou dono de mim mesmo.
    3 – será que esse inferno que você cita existe? Tem um texto aqui no blog em que demonstro que ele é uma invenção que não está na bíblia. Aí a pergunta volta para você: por que você acredita no inferno se ele não está na mensagem de Deus? Agora você não está mais sendo obediente a Deus, mas a alguns religiosos espertos que o enganaram. Deus deve estar desapontado com você! Leia o texto e contra-argumente, se puder. E leia os comentários. São divertidíssimos.
    4 – todos os caminhos dos homens são bons aos seus próprios olhos. Sim, o que inclui você também. Você pode estar vivendo um autoengano sem perceber e se achar feliz. O acaso governa a sua vida mas você acha que é uma mão divina. Você não tem como provar, permanece no comportamento por fé. Mas, no mundo real, o risco é alto. Nada lhe garante que o seu Deus e o céu que você almeja existam de fato. Você inventa a sua própria felicidade, como todos. Eu ao menos tenho um critério empírico – e não moral. Perceba a diferença. Renda, estudo, cultura são utilidades reais e mensuráveis que crescem ou caem e posso facilmente mostrar uma cadeia de causa e efeito do porquê caiu ou subiu. Passei na prova porque estudei muito (livros e horas), fui aprovado no doutorado porque redigi uma pesquisa de qualidade (está publicada), tive um aumento de salário por causa do ganho na escolaridade etc. Até você entenderia a cadeia de causa e efeito e não discutiria. Agora lhe pergunto: que ganhos reais você tem e que pode demonstrar para qualquer pessoa que foram obtidos por causa de Deus e que sem ele não teriam sido obtidos, numa cadeia de causa e efeito clara? Você me convenceria?
    5 – eu não ofereci nenhum argumento de bem-estar ou prosperidade. Falei que estava mais feliz. Não é um argumento, é um fato. Demonstrável empiricamente, como já disse. Há vários critérios disponíveis para medição de felicidade. Há boas pesquisas sobre o assunto. Você é que tem muitos argumentos, opiniões, que não podem ser demonstrados. Como se sustentam? Na autoridade do amigo imaginário. Isso é autoritarismo. Eu sou feliz porque vivo uma verdade empírica. Todos podem ver de onde vem, independentemente do credo. Já no seu caso…
    6 – escola. As informações que aprendemos na escola e na faculdade não se sustentam pela fé no professor, mas porque elas têm utilidade empírica, foram fruto de inteligência, pesquisa, crítica e ação humanas. Se o teorema de Pitágoras é falso, por que seria ensinado? Se as vacinas não ajudam a controlar doenças, porque teríamos campanhas do governo? Vacinas, aviões, celulares, internet são fruto de pesquisa e desenvolvimento. O que você aprende na igreja é que é fruto de fé. Você tem que acreditar no pastor. Será que o pastor leu a bíblia no original? Ele sabe grego ou hebraico? Ele conhece os erros de tradução e todas as adições feitas na Idade Média? Ele sabe o que é fidedigno e o que é fraude? Como saber? Deus vai intervir se o pastor falar besteira no púlpito? Você opera na fé, sem garantias. Isso significa risco, insegurança. Eu opero na realidade. No meu mundo, o que não funciona vem logo à tona e é substituído por algo melhor. É por isso que o IBGE percebeu que as pessoas religiosas tendiam a ser mais pobres que as não religiosas. Consulte no site. Não precisa ter fé em mim. Sim, apelar para o amigo imaginário, meu caro, é moleza e fuga!

  8. CoralUnB Says:

    Prezado Tiago. Obrigado pela resposta. Vou tentar responder da melhor forma possível dentro do seu texto. Você disse que eu não pintei um quadro tão simples, mas que seria objetivo. Bem, acho que você jogou muitas idéias simplistas demais, e por isso eu não poderei ser tão sucinto.
    T: 1 – eu provavelmente não fui um cristão verdadeiro, você disse. Difícil de definir isso.
    R: Isso não é difícil de definir, o difícil é saber de fato quem é cristão ou não em nível pessoal.
    T: Você é um?
    R: Sim!
    T: O seu irmão no banco do lado é um?
    R: eu não posso, e nem cabe a mim julgar o coração de outra pessoa, mas ao mesmo tempo existem evidências claras e não tão subjetivas que podem e devem nos direcionar nessa compreensão, não com o objetivo de julgamento, mas de reconhecimento. No mesmo texto em que Jesus exorta a que não julguemos os outros, ele alerta para estejamos atentos aos falsos profetas, usando o critério dos frutos: “pelos frutos os conhecereis”.
    T: De que estilo de vida você fala?
    R: De qualquer que seja o estilo de vida que você associa a um cristão. De qualquer modo, o estilo de vida de um verdadeiro cristão é Amar a Deus de todo o coração, de toda a alma, e de todo entendimento.
    T: pois conheço vários cristãos e com estilos bem variados.
    R: Cristãos não são autômatos que agem de forma programada, eles podem ter diversas personalidades, mas por definição um cristão é aquele que um dia reconheceu e se arrependeu de seus pecados, e recebeu Jesus como Senhor e salvador de sua vida. Se isso não aconteceu, a pessoa não é cristã, mesmo que o diga. Se o “estilo” dessa pessoa varia da resposta anterior, então ela simplesmente não é cristã.
    T: Amor mútuo? Você, que é casado, responda para si: o que alimenta o amor?
    R: O amor é uma decisão, não um sentimento emocional.
    T: Como sua esposa perderia o seu amor?
    R: se eu decidisse não amá-la.
    T: “Mútuo” depende do comportamento do outro.
    R: Não, mútuo significa que é recíproco, não exatamente dependente do amor do outro. Eu amo minha filha independentemente do comportamento dela, e mesmo que não haja reciprocidade por parte dela. Eu posso às vezes não concordar com ela, mas não deixo de amá-la. A Bíblia fala que Deus nos amou mesmo sendo nós ainda pecadores. O amor de Deus, por exemplo, não depende de nosso comportamento. Mas o cristão é aquele que também ama a Deus, daí a mutualidade.
    T: Obediência incondicional? Você segue todos os preceitos bíblicos?
    R: Não confunda obediência incondicional com obediência absoluta. Significa que não estabeleço condições para obedecer. Ou seja, eu não obedeço só se Deus fizer isso ou aquilo por mim.
    T: Até tudo o que está escrito em Levítico? Não.
    R: É óbvio que não, especialmente porque, como cristão, eu não vivo pela lei, mas pela graça. Como diz o apóstolo Paulo: “Todo o que vive pela lei, separado está de Cristo”.
    T: Você seleciona algumas coisas e ignora outras. Você sabe que sim. Mas onde está escrito que você pode selecionar? Por que então você seleciona? Agora multiplique isso pela quantidade de cristãos no planeta. Milhões que adotam alguns versículos e ignoram outros, interpretam alguns errado e outros certo, e pense na variedade e combinações possíveis. Temos milhões de cristãos diferentes!
    R: Como cristão, eu não tenho o direito de selecionar o que vou seguir ou não da vontade de Deus expressa na Bíblia, isso seria muito conveniente. Mas isso não significa que cristãos são pessoas perfeitas. João fala que, se dissemos que não pecamos, mentimos e a verdade não está em nós. Da mesma forma, a interpretação das Escrituras não é pessoal: “nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação” (2 Pedro 1:20), e me alegro que concorda comigo, pois se diz que alguns interpretam a Bíblia de forma errada e outros de forma certa, é porque existe uma interpretação correta da Bíblia. E todos seremos julgados por nossa interpretação errônea dela. Ninguém que comete um crime que fere as leis humanas pode se desculpar no tribunal dizendo que não conhecia a lei, esse não é um argumento aceito legalmente, e o mesmo se aplica às leis de Deus.
    T: 2 – você é cristão, “grande coisa”! Você está vivendo como milhões de pessoas vivem, conversando com um amigo imaginário. Eu ao menos não preciso disso.
    R: Para mim é uma grande coisa, na verdade super grandiosa, pois é a diferença entre a vida e a morte. Mas não me vanglorio pessoalmente disso, pois tudo é fruto da graça de Deus. Agora, é importante entender que afirmar que Deus não existe está no mesmo nível epistemológico da afirmação de que Deus existe. Ambas as afirmações representam um ato de fé, cabe a cada um de nós oferecer as evidências necessárias para dar suporte à sua afirmação, e você não fez nada disso, só afirmou. Isso não o torna intelectualmente superior como você parece demonstrar. Alguém já brincou dizendo que existem duas formas de se tornar um intelectual nos dias de hoje, uma é estudando muito, a outra é afirmar que é ateu.
    T: Para vencer um desafio, só dependo de mim mesmo e do meu esforço.
    R: Isso não pode estar mais longe da realidade. Ninguém no mundo é auto-suficiente que não dependa dos outros. Para me responder no seu blog, você utilizou uma rede que opera independentemente de você, e que lhe permitiu fazer isso. Para fazer uma pesquisa no Google você depende das pessoas que formularam os algoritmos de busca que colocam à sua disposição de forma imediata as informações que você necessita, seguindo um critério de organização específico. Por mais esforço que você faça, você provavelmente não se tornará o tenista no. 1 do mundo, por mais que queira. Você jamais poderia, mesmo que quisesse, estar fisicamente em quatro lugares ao mesmo tempo. Por mais esforço que você faça, e por mais que você queira você não pode entrar em território americano por vias legais sem um visto, e mesmo assim não terá a garantia de entrada. Eu posso fazer uma lista com milhares de itens mostrando as coisas que você não poderia fazer mesmo que quisesse ou se esforçasse. “E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? (Mateus 6:27). A experiência humana é a experiência da constante frustração de nossas limitações. Trata-se de uma verdade tão auto evidente quanto algumas proposições matemáticas, por isso sua afirmação é absurda.
    T: Você vai pedir ajuda a um ser transcendente e tentar vencer a concorrência com essa ajuda. Ético? Para mim é só loucura mesmo.
    R: “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Coríntios 2:14). “Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (1 Coríntios 1:25); “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” (1 Coríntios 1:18). “Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia” (1 Coríntios 3:19)
    T: Mas o ponto principal é: você não é auto-suficiente,
    R: ninguém é auto-suficiente
    T: e isso é uma prisão. Você é um prisioneiro, eu não.
    R: A Bíblia é cheia de interessantes paradoxos desafiadores para qualquer um. De acordo com ela, os primeiros serão os últimos; quem quiser salvar sua própria vida, perdela-á; aquele que quer ser mestre deve servir os outros; quando somos fracos, aí que somos fortes; somos exaltados quando nos humilhamos; nos tornamos sábios pela loucura da pregação; nos tornamos livres sendo escravos da justiça de Deus.
    T: A “grande coisa”, na minha vida, é que sou dono de mim mesmo.
    R: Não de acordo com a Bíblia. De acordo com ela , ninguém é dono de si mesmo, pois ou há de servir a Deus ou a outro senhor. Como diz Bob Dylan em uma de suas canções: “You gotta serve somebody. It might be the devil, or it might be the Lord, but you gotta serve somebody”. Esta é, sim, sua “grande” ilusão.
    T: 3 – será que esse inferno que você cita existe? Tem um texto aqui no blog em que demonstro que ele é uma invenção que não está na bíblia. Aí a pergunta volta para você: por que você acredita no inferno se ele não está na mensagem de Deus? Agora você não está mais sendo obediente a Deus, mas a alguns religiosos espertos que o enganaram. Deus deve estar desapontado com você! Leia o texto e contra-argumente, se puder. E leia os comentários. São divertidíssimos.
    R: Vou ler seu texto em momento oportuno, mas já consigo de cara pensar em vários versos bíblicos que falam da existência do inferno. Mas é interessante que você baseie seu argumento sobre a existência ou não do inferno na Bíblia, ou seja, a Bíblia é suficientemente idônea para sustentar um argumento seu, mas não o é para sustentar as coisas nas quais você não acredita? Quem está sendo seletivo e, nesse caso, contraditório?
    T: 4 – todos os caminhos dos homens são bons aos seus próprios olhos. Sim, o que inclui você também. Você pode estar vivendo um autoengano sem perceber e se achar feliz.
    R: O que a Bíblia chama de caminhos dos homens são todas as opções feitas à revelia de Deus, o que não é o meu caso. Creio no que creio não por uma descoberta pessoal, mas por intervenção e revelação divinas. Sem elas, jamais poderia chegar a conhecer o que conheço e saber o que sei.
    T: O acaso governa a sua vida mas você acha que é uma mão divina.
    R: apenas uma afirmação filosófica sem base argumentativa. Eu poderia dizer, por exemplo, que o diabo governa sua vida, mas você acha que é você mesmo, mas e daí?
    T: Você não tem como provar, permanece no comportamento por fé.
    R: Vejo que você nem sempre é muito criterioso com suas palavras e introduz algumas categorias de forma arbitrária, o que dificulta um pouco o diálogo. Eu não sei o que quer dizer com comportamento, não de trata de comportamento, mas de uma convicção. E quando fala em provar, está se referindo a que? Provar o que? E, como disse anteriormente, a fé está presente na vida de todos. Muitos, como você, acham que a fé a algo religioso, mas todos temos fé. E fé não significa uma obediência cega, sem um mínimo de evidências. Minha fé é baseada em evidências sólidas, ao contrário da sua fé. Sim, não crer em Deus é também um ato de fé, só que se trata de uma fé muito maior do que a necessária para se crer em Deus, pois as implicações de se explicar as coisas em um mundo sem Deus são muito mais complicadas do que o contrário. Sugiro a leitura do livro “Não tenho fé suficiente para ser ateu” de Norman Geisler. Na verdade, você é um homem de fé infinitamente superior à minha.
    T: Mas, no mundo real, o risco é alto. Nada lhe garante que o seu Deus e o céu que você almeja existam de fato. Você inventa a sua própria felicidade, como todos.
    R: Eu tenho plena garantia da existência de Deus e do céu. No caso do cristianismo, “a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos”(Hebreus 11:1). Quando você diz que eu invento minha própria felicidade, como todos, então você se inclui nesse grupo? Pois você diz que é feliz e que conduz sua própria vida, então você está inventando sua felicidade de forma ilusória? Mas, enfatizo, a mensagem do cristianismo não é a mensagem de felicidade. Seria ridículo acreditar que os primeiros cristãos aceitassem morrer por uma felicidade que eles estavam apenas inventando, assim como todos os cristãos através da história. Esta sua ênfase na felicidade reforça sua visão errada do Cristianismo.
    T: Eu ao menos tenho um critério empírico – e não moral. Perceba a diferença. Renda, estudo, cultura são utilidades reais e mensuráveis que crescem ou caem e posso facilmente mostrar uma cadeia de causa e efeito do porquê caiu ou subiu. Passei na prova porque estudei muito (livros e horas), fui aprovado no doutorado porque redigi uma pesquisa de qualidade (está publicada), tive um aumento de salário por causa do ganho na escolaridade etc. Até você entenderia a cadeia de causa e efeito e não discutiria. Agora lhe pergunto: que ganhos reais você tem e que pode demonstrar para qualquer pessoa que foram obtidos por causa de Deus e que sem ele não teriam sido obtidos, numa cadeia de causa e efeito clara? Você me convenceria?
    R: Bem, em primeiro lugar quero que saiba que não me sinto em nenhuma obrigação de convencê-lo de nada, você se convence se quiser. Agora você complicou as coisas um pouco. Isso porque você não percebe as contradições de suas afirmações, assim como a forma simplista como você coloca as coisas. Bem, vamos por partes. Em primeiro lugar, empírico “é um fato que se apoia somente em experiências vividas, na observação de coisas, e não em teorias e métodos científicos. Empírico é aquele conhecimento adquirido durante toda a vida, no dia-a-dia, que não tem comprovação científica nenhuma”. Este tipo de conhecimento é muito problemático, pois você tem que partir do pressuposto, ou seja, ter fé, de que a sua percepção da realidade seja confiável. Mas há um outro problema: Eu posso passar por experiências parecidas com as suas e chegar a conclusões diferentes. Porque? Porque, na verdade, não são as experiências que determinam a realidade, mas sim a nossa valoração destas experiências, o que é, sim, algo moral. Quando você afirma que renda, cultura, estudos são “utilidades”, você estabelece um julgamento de valor para estas coisas, o que remete a algo moral, sim. Você estabeleceu um valor a estas coisas e, com base nesse valor, você julga sua experiência. Eu posso, de fato, mensurar a renda de uma pessoa, mas se considero que dinheiro não é algo definidor para minha vida, isso terá um significado diferente para mim do que para você. Já estudos e cultura não podem ser mensurados da forma precisa como você fala, mas também só são relevantes se você estabelece de antemão um valor a estas coisas. Existem milhares de pessoas no mundo com renda muito maior que a sua, fruto de tráfico de drogas, de apropriação indevida do dinheiro público, ou de herança que não custou esforço algum para a pessoa. Isto é mensurável! Estas pessoas são melhores do que você por terem mais renda? Se você acha que não, então a questão não é a renda em si. Quanto a estudo e cultura, isso só é importante se você estabelece estas coisas como bens absolutos. Toda cultura acadêmica não tem a mínima importância para a maioria das pessoas, que pouco se lixam para o fato de que você tem uma tese de doutorado publicada ou não, você vive em um nicho acadêmico que valoriza algumas coisas que você acredita que são universais. Eu também tenho um doutorado, mas isso tem importância mínima na minha vida, embora você possa mensurar isso de alguma forma. Minha formação acadêmica me define muito pouco. E conheço inúmeros doutores pouco inteligentes, que escrevem muito mal, com visões estranhas da realidade, e muitas publicações absurdas. Conheço inúmeras pessoas com cargos administrativos de direção, ou com posições acadêmicas altas, conseguidas por pura política e não por mérito pessoal ou competência. O mundo está cheio de pessoas incompetentes em posições de liderança, qual a causa e efeito nisso? Ela é justificável? Então, não basta estabelecer a causa e efeito, você deve julgar esta relação por um critério externo. Por outro lado, há cada vez mais pessoas com doutorado desempregadas e morando nas ruas, muitas delas muito competentes em suas áreas, porque foram injustiçadas ou por causa de crise econômica. E aí? Há nesses casos uma causa e um efeito, mas agindo na direção contrária da sua experiência, a qual, então, não serve para definir nada, a não ser a sua própria experiência.
    T: 5 – eu não ofereci nenhum argumento de bem-estar ou prosperidade. Falei que estava mais feliz. Não é um argumento, é um fato. Demonstrável empiricamente, como já disse. Há vários critérios disponíveis para medição de felicidade. Há boas pesquisas sobre o assunto. Você é que tem muitos argumentos, opiniões, que não podem ser demonstrados. Como se sustentam? Na autoridade do amigo imaginário. Isso é autoritarismo. Eu sou feliz porque vivo uma verdade empírica. Todos podem ver de onde vem, independentemente do credo. Já no seu caso…
    R: Espere um pouco! A sua felicidade é um fato? Mas de onde vem a noção de felicidade em um mundo totalmente materialista, se a felicidade é uma abstração? Você pode de forma física e concreta me mostrar o que é felicidade? A felicidade é uma idéia, não uma realidade física, então como ela pode ser reduzida e explicada por aquilo que é simplesmente material? Agora, para alguém que teve uma vivência acadêmica afirmar que existem critérios para se medir a felicidade é algo ridiculamente absurdo que de fato me faz desmerecer um pouco suas credenciais para uma discussão a esse nível. E ainda dizer que há boas pesquisas sobre o assunto? Estas pesquisas são científicas? Me desculpe a aparente ironia, não quero ser cínico, mas quando você me diz que existem critérios disponíveis para a medição de felicidade, isso me remete a pesquisas do tipo de revistas femininas como Marie Claire ou Claudia. Você precisa ser um pouco mais sério em relação a estas coisas. Eu sei que, além do conceito da felicidade como bem-estar subjetivo, existe a idéia, vinda dos filósofos gregos antigos, de felicidade como bem-estar objetivo, mas a base para isso eram virtudes ou excelências morais que eles consideravam absolutas. Mas absolutas com base em que? Existem pessoas que extraem extrema satisfação em matar outras pessoas. Che Guevara foi um exemplo disso. Muitos questionariam esse critério de felicidade. Você diz que sua felicidade é uma verdade (verdade, está aí um conceito interessante para um ateu…) empírica, mas ela só pode ser reconhecida se você explica antes o que é felicidade, e não trata esse conceito como algo universalmente reconhecido por todos. Isto é dogmatismo religioso e também autoritarismo. Até agora, os critérios que você usou para demonstrar o que é felicidade não significam nada para mim pessoalmente. O único critério absoluto que conheço para definir felicidade é Deus.
    T: 6 – escola. As informações que aprendemos na escola e na faculdade não se sustentam pela fé no professor, mas porque elas têm utilidade empírica, foram fruto de inteligência, pesquisa, crítica e ação humanas.
    R: Em primeiro lugar, como ateu você não tem como sustentar o conceito de inteligência, então porque fala nisso? Você pode ver o argumento claramente no final deste vídeo, mas o desafio a ver todo o vídeo para que entenda como o ateísmo é incompatível com a ciência: https://www.youtube.com/watch?v=deeC7DDGjBU
    Acho que é hora de definirmos fé. A definição, originada do latim, é simples: crer, confiar. Não se trata de um conceito exclusivamente religioso. Ok, é um pouco difícil falar de algumas coisas sem a interação pessoal, pois você pode negar alguns dos meus pressupostos já que você não os expressou. Mas vejamos: você obviamente já ouviu falar do general grego Alexandre, o Grande, que viveu uma vida curta alguns séculos antes de Cristo. Assumo que você não conteste a sua existência, mas a questão é: como você sabe que ele existiu? Você pessoalmente foi pesquisar as fontes e as evidências que demonstram a existência de Alexandre? Claro que não! Mas, se você acredita que ele existiu, você muito provavelmente o faz porque ouviu isso de um professor ou leu em um ou mais livros de história sobre este grande general. Mas você não tem nenhuma evidência concreta de sua existência a não ser o testemunho de livros e professores. Mesmo assim, você e a maioria das pessoas têm a convicção absoluta de que ele viveu, a ponto de jamais admitir que o fundamento dessa crença seja o que é de fato, FÉ! Quando você toma um remédio, você tem fé nas informações que estão na bula, ou que um médico lhe passou, mas você pessoalmente nunca foi a um laboratório verificar por meio de pesquisas se estas informações são fidedignas ou fraude. A questão não é se elas são ou não cientificas ou verdadeiras, a questão é o modo como você pessoalmente admite se elas são verdadeiras ou não. Você pode dizer que você testa isso empiricamente pelos resultados que isso provocam no seu corpo. Porém, 1) nosso corpo é um organismo vivo complexo, como você pode afirmar que as reações dele são fruto de uma intervenção x ou de um outro tipo de variável? 2) Como você pode saber que as reações em seu corpo não são o resultado de um efeito placebo (algo, sim, registrado em muitos estudos) motivadas por sua crença fantasiosa nos remédios. Por favor, caia na real, a grande maioria dos chamados fatos que tomamos como verdadeiros é fruto apenas da fé nas pessoas ou livros que nos passaram estas idéias. Não existe a mínima possibilidade de testarmos todas as informações que recebemos para saber se são verdadeiras ou não, e por isso acreditamos simplesmente nelas ou não, e em alguns casos nem temos muita opção. A maioria das pessoas possui grande fé na ciência e em cientistas, e basta dizer que estudos ou pesquisas comprovam alguma coisa que as pessoas logo acreditam, sem questionar que estudos ou pesquisas são estes, como eles foram feitos, quais os reais resultados, e sem testá-los. Você, também, é uma pessoa de fé. E de novo, a utilidade empírica!! Muitas pessoas utilizaram sua inteligência para produzir armas de destruição em massa que foram muito úteis a seus propósitos de dominação e limpeza étnica. Como foi útil empiricamente, está Ok para você? Você assume que inteligência, pesquisa, crítica e ação humanas são coisas sempre positivas, mas é fácil provar o contrário.
    T: Se o teorema de Pitágoras é falso, por que seria ensinado?
    R: Uau! É essa a sua lógica para julgar a veracidade ou congruência de algo, se é ensinado ou não? Que grande falácia. Se a Bíblia é falsa, porque é então ensinada nas igrejas e em instituições acadêmicas? Quer dizer que tudo o que é ensinado é verdadeiro? Hmmmmm. De novo, você precisa ser mais sério do que isso!
    T: Se as vacinas não ajudam a controlar doenças, porque teríamos campanhas do governo?
    R: Porque o governo talvez queira enganar as pessoas afirmando que elas terão uma proteção contra doenças, mas é tudo uma conspiração?!?! Que tipo de argumento é esse?
    T: Vacinas, aviões, celulares, internet são fruto de pesquisa e desenvolvimento.
    R: De pesquisa, sim, de desenvolvimento, aí já entramos em considerações de valor. Como cristão, assim como Isaac Newton, Copérnico, Kepler, Galileu e outros muitos cientistas modernos, não vejo contradição nenhuma entre pesquisa científica e fé ou entre ciência e Deus. A idéia de contradição entre ciência e fé, ou ciência e Deus, ou ciência e religião é algo recente na história, e que não está associado a nenhum desenvolvimento científico. Aliás, as mais recentes descobertas marcantes da ciência trazem maiores evidências para a idéia da existência de Deus. Há duas semanas, recebemos um professor em nosso departamento que afirmou que é impossível estudar física quântica e não considerar a existência de Deus.
    T: O que você aprende na igreja é que é fruto de fé. Você tem que acreditar no pastor. Será que o pastor leu a bíblia no original? Ele sabe grego ou hebraico? Ele conhece os erros de tradução e todas as adições feitas na Idade Média? Ele sabe o que é fidedigno e o que é fraude? Como saber?
    R: Uma curiosidade: você sabe grego ou hebraico? Você verificou nas fontes os erros de tradução e as adições às quais se refere, ou leu em algum lugar? Só perguntando…
    T: Deus vai intervir se o pastor falar besteira no púlpito?
    R: Muito provavelmente não. Mas se você não acredita em Deus, imagino que ache que tudo o que um pastor falar de púlpito seja besteira, não? Ou você ainda crê em alguma verdade bíblica que sirva de base para julgar se o pastor está falando besteira ou não?
    T: Você opera na fé, sem garantias. Isso significa risco, insegurança. Eu opero na realidade. No meu mundo, o que não funciona vem logo à tona e é substituído por algo melhor. É por isso que o IBGE percebeu que as pessoas religiosas tendiam a ser mais pobres que as não religiosas.
    R: Sim, mas é você quem julga riqueza material como algo que determina o valor de uma pessoa. Não seria possível que as pessoas religiosas sejam mais pobres porque a riqueza material simplesmente não é um valor determinante para elas? Mas espere um pouco. Existem muitos pastores por aí que são infinitamente mais ricos do que você, têm o reconhecimento e respeito de centenas e milhares de pessoas, às vezes milhões. Então, dentro desses seus valores, a fórmula deles funciona muito melhor do que a sua, certo? Você está pronto, então, a seguir a estes pastores? Realmente, sua visão da realidade é um tanto simplista.
    T: Consulte no site. Não precisa ter fé em mim. Sim, apelar para o amigo imaginário, meu caro, é moleza e fuga!
    R: Desculpe o longo texto. Mas você me perguntou antes “que ganhos reais você tem e que pode demonstrar para qualquer pessoa que foram obtidos por causa de Deus e que sem ele não teriam sido obtidos, numa cadeia de causa e efeito clara? Você me convenceria?” Well, eu poderia escrever um livro sobre isso, mostrando de forma “empírica” vários eventos que aconteceram em minha vida e de minha família que eu jamais poderia explicar de outra forma que não fosse a intervenção divina. Especialmente neste último ano e meio, uma série de acontecimentos em cadeia envolvendo várias variáveis, inúmeras pessoas e instituições se conglomeraram em uma cadeia complexa que desafia qualquer idéia de acaso, convergindo para um resultado miraculoso que esperávamos, e foi possível ver de forma clara a intervenção soberana de Deus em tudo. Mas será que eu te convenceria? Muito provavelmente não. Veja bem, existem inúmeras pessoas que, mesmo em face de evidências claras e avassaladoras jamais mudam seu ponto de vista, porque estão apegados a ele por motivos mais morais que intelectuais. Eu estou convencido que o ateísmo, por exemplo, não é uma questão intelectual, mas moral. Todos sabem intuitivamente que, se Deus existe, então você deve prestar contas a ele. Confrontado com evidências irrefutáveis sobre a existência de Deus, um ateu proeminente foi pelo menos honesto em dizer que se rendia às evidências, mas mesmo assim continuaria com a opção de ser ateu. Quando perguntado porque, respondeu: “Pois assim eu posso continuar a fazer o que eu quiser com minha vida”. Ou, parafraseando sua afirmação, sem Deus eu posso ser dono de mim mesmo. Na polarização política que toma conta do Brasil nos últimos anos, é fácil ver essa reação nas pessoas que, mesmo diante das evidências mais claras sobre o comportamento criminoso de seus líderes, escolhem não ver o que é claro e óbvio. Permita-me citar uma história bíblica do livro de I Samuel: “Os filisteus, pois, tomaram a arca de Deus e a trouxeram de Ebenézer a Asdode. Tomaram os filisteus a arca de Deus, e a colocaram na casa de Dagom, e a puseram junto a Dagom. Levantando-se, porém, de madrugada no dia seguinte, os de Asdode, eis que Dagom estava caído com o rosto em terra, diante da arca do Senhor; e tomaram a Dagom, e tornaram a pô-lo no seu lugar. E, levantando-se de madrugada, no dia seguinte, pela manhã, eis que Dagom jazia caído com o rosto em terra diante da arca do Senhor; e a cabeça de Dagom e ambas as palmas das suas mãos estavam cortadas sobre o limiar; somente o tronco ficou a Dagom. Por isso nem os sacerdotes de Dagom, nem nenhum de todos os que entram na casa de Dagom pisam o limiar de Dagom em Asdode, até ao dia de hoje. Porém a mão do Senhor se agravou sobre os de Asdode, e os assolou; e os feriu com hemorróidas, em Asdode e nos seus termos. Vendo então os homens de Asdode que assim foi, disseram: Não fique conosco a arca do Deus de Israel; pois a sua mão é dura sobre nós, e sobre Dagom, nosso deus” (1 Samuel 5:1-7). É interessante que, diante da evidência clara do poder superior do Deus de Israel sobre o imaginário deus Dagom, os filisteus não se renderam a Deus, mas simplesmente tiraram a arca da aliança de seu território para continuar vivendo como queriam. Da mesma forma, os fariseus presenciaram alguns dos milagres de Jesus, jamais contestaram a realidade “empírica” dos milagres, mas mesmo assim não se renderam às evidências, pois isso significaria que eles teriam que mudar seus conceitos e suas vidas. Incrível!! E, ainda assim, eles pediam de Jesus um sinal. Ninguém na história presenciou mais sinais do que o povo de Israel, e mesmo assim eles não entraram na terra prometida por causa de INCREDULIDADE!! Eu creio que, sabendo dessa dinâmica, Jesus se recusou a operar milagres em sua terra, por causa da incredulidade deles. Ora, ele poderia fazer milagres para convencê-los, mas ele sabia de antemão que a incredulidade deles era maior que qualquer evidência. Observando seu comportamento nitidamente emocional na discussão destes assuntos, e sua necessidade de atacar os cristãos, como você diz que passou a fazer desde que saiu da igreja, é bem provável que você jamais se renda a evidência alguma que lhe for apresentada em oposição à suas ideias, por mais convincentes que sejam. Porém, sinceramente, eu espero que você não seja uma destas pessoas.

  9. Tiago Says:

    Desculpe, mas você opera num mundo mágico. Não há diálogo possível. Você cai em suas próprias palavras várias vezes. Tenta esticar e tirar muita coisa de minhas curtas frases que não estão lá. Seu raciocínio é mágico. Nada é sólido, tudo flutua. Somos como duas espécies diferentes no reino animal. Nada do que vc diz é inteligível pra mim, e vice-versa. Pelo visto, vc não vai tirar proveito deste blog. Sua mente mágica e fechada não vai deixar. No final, o que conta é: essa sua vida e forma de pensar e de se relacionar com os outros tem produzido bons frutos para você e para os outros? Você está feliz? Está criando terreno para seus filhos vencerem na vida? Está construindo pontes?
    Tudo o que lhe respondi no primeiro comentário acima pode ser resumido numa pergunta: se há um Deus, por que não sinto falta? É comum vermos filhos adotados ou abandonados com uma vontade incontida de encontrar o pai biológico. Parece um vazio que querem preencher. Por que isso não acontece com o Pai espiritual, onipresente e todo poderoso? Por que não há vazio? Por que não sinto necessidade de busca?
    Se tudo o que vc escreveu fosse verdadeiro, ao menos não deveria haver um incômodo em mim? É fácil responder “mas depende de você!” Se essa é a resposta, e eu que tenho que buscar, como os filhos biológicos abandonados, então não vai acontecer, pois não tenho em mim o que os move, a vontade da busca, e essa é uma demonstração pessoal, pra mim apenas, que nada há para ser buscado.

  10. CoralUnB Says:

    Como um ateu, você não só deve conhecer, mas estar familiarizado com Richard Dawkins, um dos mais proeminentes anti-teístas que existem, mas que pode ser melhor definido como um grande charlatão. Eu acompanhei pela internet a dois debates de Dawkins com John Lennox, professor de matemática em Oxford e apologista cristão (algo interessante para você ver no Youtube). Logo notei um padrão no debate: enquanto Lennox tentava responder os questionamentos e ataques de Dawkins (pois na maioria das vezes ele não apresentava argumento algum, mas somente ataques), Dawkins se esvaía de todas as perguntas de Lennox, e simplesmente trazia mais ataques sem sentido na hora de sua fala. Esse quadro foi me deixando indignado, mais ainda porque o público presente não parecia nem se dar conta do que Dawkins estava fazendo, o que pode ser descrito, no mínimo, como desonestidade intelectual. Mas esse padrão deixava claro, para mim, que Dawkins se valia dos ataques para distrair o público do simples fato de que ele não tinha resposta ou argumentos para responder aos questionamentos de Lennox. Me desculpe, mas em sua última resposta vejo este mesmo padrão, o de ataques aleatórios, sem fundamento argumentativo algum, e que não significam absolutamente nada e, mais ainda, não respondem a nada do que falei antes. Pois espero que esteja consciente de que dizer coisas como “você opera num mundo mágico”, ou “você tem uma mente fechada”, ou que no meu raciocínio “nada é sólido, tudo flutua” (!?!?!), não significa absolutamente nada, não se trata de argumentos, são só ataques aleatórios. Veja bem, eu poderia responder dizendo as mesmas coisas sobre você, e aí estaríamos no mesmo patamar, mas sem nunca sair do lugar na discussão. O grande físico Stephen Hawking certa vez disse que “religião é um conto de fadas para quem tem medo do escuro”. Perguntado publicamente sobre o que achava dessa afirmação, John Lennox redarguiu: “Pois eu acho que o ateísmo é um conto de fadas para quem tem medo da luz”. As pessoas logo captaram a brilhante resposta, e riram e começaram a aplaudir, mas ele as interrompeu dizendo: “Só há um problema, estas duas afirmações não significam absolutamente nada”. Ou seja, John Lennox é, pelo menos, honesto.
    Ponto 2: “No final, o que conta é: essa sua vida e forma de pensar e de se relacionar com os outros tem produzido bons frutos para você e para os outros? Você está feliz? Está criando terreno para seus filhos vencerem na vida? Está construindo pontes?”. Nenhuma destas perguntas faz sentido algum se não chegarmos a um acordo sobre o que é felicidade, ou sobre o que são “bons” frutos, o que significa vencer na vida e, mais importante, o que significa essa pergunta extremamente vaga sobre construir pontes? Está claro que estas coisas têm um significado bem diferente para mim e para você. Para mim, por exemplo, vencer na vida é viver em completa submissão a Cristo, investindo nas coisas eternas e não nas desse mundo (Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? 1 João 5:5). Mas o fato é que todas estas perguntas envolvem um pressuposto de valor, ou seja, moral, que você não pode justificar ou explicar em um mundo totalmente materialista, mas isso eu já disse antes.
    Finalmente, está claro que você não está familiarizado com os princípios mais básicos de lógica. Você diz: “Tudo o que lhe respondi no primeiro comentário acima pode ser resumido numa pergunta: se há um Deus, por que não sinto falta?”. Não, essa pergunta não resume tudo o que você disse antes, pois em nenhum momento anterior você nem apontou nessa direção, e se isso fosse verdade, eu obviamente teria feito a inferência. Esta é uma afirmação totalmente nova, mais uma tentativa de simplificar para esquivar, apagando todos os absurdos que você disse antes.
    “Se há um Deus, por que não sinto falta?”. Sua pergunta envolve a suposição de que seu sentimento pessoal sobre Deus é argumento para demonstrar a inexistência de Deus, o que é um tipo de reducionismo absurdo. Em um debate com um ateu (você deve assistir isso: https://www.youtube.com/watch?v=ET-0Vcp1vXs), William Craig denominou a isso de falácia genética. Pois o seu debatedor cometeu o mesmo erro ao tentar demonstrar a inexistência de Deus, reportando-se às razões pelas quais as pessoas acreditavam em Deus que, segundo ele, vinham de “um senso de estar sozinhos, ou um senso de perplexidade, ou como uma tentativa de estabelecer poder sobre as pessoas”, etc. Craig argumentou que, mesmo que estas coisas fossem verdade, a dedução não pode ser feita, ou seja, explicar a origem de uma crença não prova que a crença seja falsa. No seu argumento, você se torna a referência para se deduzir a existência de Deus ou não, o que é ilógico. Esse é um “argumento” emocional, não lógico. Eu não sinto, então não existe (?!?!). Existem muitas coisas no mundo que existem, mas das quais eu não sinto a mínima falta, ou não tenho mesmo a mínima consciência, mas isso não faz com que elas não existam. Existem muitos tipos de fruta no mundo, por exemplo, que eu nem conheço e, por isso, não sinto falta delas, mas nem a pessoa com o raciocínio mais simples do mundo iria dizer que isso significa que estas frutas não existem. Então porque você, com toda sua vivência acadêmica, faz uma inferência destas?
    Mas aí você parte para o apelo emocional: “É comum vermos filhos adotados ou abandonados com uma vontade incontida de encontrar o pai biológico. Parece um vazio que querem preencher. Por que isso não acontece com o Pai espiritual, onipresente e todo poderoso?”. Você faz um recorte bem limitado da experiência e quer, a partir disso, deduzir algo muito maior, sendo que não há conexão lógica entre as duas coisas. De onde vem esse salto lógico sobre o possível sentimento de filhos adotados em relação a seus pais biológicos e a idéia da existência de Deus? O que uma coisa tem a ver com a outra? Isso, sim, é raciocínio mágico, pois você mesmo cria uma idéia como se fosse relacionada com outra, mas isso só tem significado para você. O outro problema em deduzir coisas grandes como a existência de Deus a partir de um recorte pequeno da realidade é que o recorte não se sustenta quando se considera a realidade mais ampla. Ou seja, é verdade que muitos filhos abandonados ou adotados possuem uma grande necessidade de saber quem são seus pais biológicos, mas é também verdade que muitos filhos adotados ou abandonados não têm a mínima curiosidade sobre isso, pois estão completamente satisfeitos com seus pais adotivos, ou nunca tiveram os pais, mas nunca sentiram falta deles, pois a vida continua. Mas, embora isso seja suficiente para desfazer todo o seu argumento, não há nenhuma relação disso com a existência ou não de Deus. Se um filho adotado não sente falta de seu pai biológico, isso não significa que o pai não existe.
    Agora, tentando responder sua pergunta, de porque você não sente falta do Pai espiritual, eu acho que a resposta é muito simples: é porque Ele não é seu Pai. A paternidade divina é uma condição reservada para aqueles que creem em Deus, o que não é o seu caso. “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome” (João 1:12); “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus esses são filhos de Deus” (Romanos 8:14); “Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” (Gálatas 3:26). Mas não é só isso. De acordo com a perspectiva bíblica, aqueles que não são filhos de Deus, são todos filhos de outro pai: “Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do diabo. Qualquer que não pratica a justiça, e não ama a seu irmão, não é de Deus” (1 João 3:10); “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai” (João 8:44). Em outros textos, estes são também chamados de filhos da desobediência. Como você quer sentir a falta de um pai que não é seu pai? Agora, ao se recusar a fazer a vontade deste Pai celeste, você se ilude em achar que faz sua própria vontade, como você tanto afirma, pois na verdade está satisfazendo, quer queira quer não, a vontade de outro pai.

  11. Tiago Says:

    Você de novo por aqui? Sério mesmo? Parece que algum vazio o perturba. Ou está querendo se provar algo? Olha, seus argumentos são ruins no geral. Eu não estou tentando provar ou demonstrar nada, mas você parece querer ver isso nas minhas palavras, desesperadamente. Não sou eu quem poderá ajudá-lo. Não vou perder meu tempo com você pois todo o seu raciocínio é mágico e flutuante. Estamos em campos de linguagem distintos (Wittgenstein). O diálogo entre nós é tecnicamente impossível. Não perca tempo comigo e procure ajuda em outro lugar.

  12. CoralUnB Says:

    Kkkkkkk. Tá bom Tiago, entendi. Você desistiu do debate, pois não tem argumentos para contrapor os meus. Na verdade, você demonstra que não sabe debater, só quer expor suas idéias, mas não suporta nenhum tipo de oposição a estas idéias. ISSO, SIM, É FRAQUEZA! Não sei como passou por instituições acadêmicas se não sabe debater. Você só sabe viver em um mundo onde existam pessoas simples que você possa massacrar com seus ataques, já que elas não saberão te responder, e você parece tirar uma satisfação sádica disso. Mas ficou claro que você não tem a mínima idéia da implicação das coisas que fala ou nas quais acredita. Quero dizer, meu caro, que o debate em torno de Deus, do ateísmo, e da Bíblia, já está muito mais avançado do que os seus argumentos, é melhor se atualizar. E não adianta apelar para Wittgenstein para justificar que não há diálogo entre nós, idéias são idéias. ISTO, SIM, É FUGA! De novo, pois você parece ter dificuldade de entender, não basta dizer que meu pensamento é mágico e flutuante, em um debate você tem que demonstrar isso. Mesmo as pessoas mais incautas podem fazer afirmações desse tipo, só dizer é a coisa mais fácil do mundo. ISSO, SIM, É PREGUIÇA! Você me pede para ler seu texto sobre o inferno, e me desafia a contra-argumentar, mas porque você pede isso se não aguenta nenhum pensamento contrário ao seu? Desculpe, não gosto de falar nestes termos, mas você é um dos ateus com argumentos mais fracos que conheci, e gostaria de deixar um conselho: se você não suporta contradição, sugiro que retire o seu blog da internet e do escrutínio público, pois se não quer debater, o seu blog é apenas uma terapia pessoal para você. Só lhe peço que tenha a idoneidade e coragem de manter meus textos em seu blog, para que as pessoas possam ver um outro ponto de vista e a fraude que você é. Eu já estava até pensando em publicar em seu blog uma resposta para um outro de seus textos e já ia começar a escrever uma resposta mostrando as falácias de sua última publicação sobre “Raciocínio Lógico e Fé”, mas como você está me rejeitando (buááááá), eu vou poupá-lo do vexame. E não se preocupe, não vou mesmo gastar meu tempo com você, existem muitas pessoas mais interessantes para discutir estas coisas. Vou procurar ajuda (hahahahaha) em outro lugar. Portanto, nem precisa responder a esta minha última mensagem. Mas tudo foi muito bom, enquanto durou…
    Grande abraço…. sem mágoas… de verdade!!!

  13. Tiago Says:

    Ah, era pra ser um debate? Nem sabia. O que você escreveu é repetição de vários outros antes de você. Explore os comentários nos vários posts deste blog. Este post não é para debates. Ele é biográfico. Para debates há os posts sobre Espírito Santo, Inferno, Igreja etc. Que tal contra-argumentar nesses posts? Em relação a essas teses gerais suas, explore o blog. Está tudo aí já. A idade vai pesando e vamos ficando menos dispostos para discutir essas generalidades. Desculpe, só li a primeira frase do seu comentário. Suficiente para deduzir o resto.

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